Pragmático QB

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Chelsea 2 vs FC Porto 0 - 09.12.2015 - Liga dos Campeões

(Des)Liga da Champions.

No pós-afastamento da Liga dos Campeões, há muita coisa para falar, ouvir, ler e escrever. Desde a "invenção" de Lopetegui, ao inacreditável histórico de jogos em Inglaterra, passando pela recepção à equipa e treinador no aeroporto que me enchem de orgulho, raspando pelo desejo de boa parte da nação portista em ter Nuno Espírito Santo como novo treinador e acabando numa análise pragmática ao jogo de ontem, que não tendo sido um mimo, também não foi uma catástrofe como se poderia concluir através do que se vai lendo um pouco por toda a comunidade azul e branca. O Porto não ficou afastado da Champions com a derrota em Stamford Bridge, o Porto suicidou-se com o jogo medonho que fez em casa contra o Dinamo.

Comecemos pelo tão badalado 5-3-2 que tanta tinta e língua fez e faz correr, porque sinceramente não percebo onde é que o facto de retirar o ponta-de-lança da equipa, torna o treinador num assassino que foi capaz de cometer um crime hediondo. Sou fã do Sadbakar, nunca o escondi, mas a verdade é que o camaronês atravessa a pior fase desde que chegou ao Dragão, está numa crise de golos mas fundamental e principalmente, numa enorme crise de confiança. Não marca há mais de um mês, e no anterior jogo falhou o possível e impossível. Retirá-lo do onze titular para Londres, mesmo precisando de ganhar, não me parece algo nunca visto no mundo do futebol. Quantas vezes a Espanha jogou sem avançado ou com Fábregas a fazer esse papel? A Juventus há quantos anos joga em 5-3-2? São 2 equipas menos ofensivas por isso? Lopetegui foi criticado no jogo com o Dinamo porque desfez o habitual 4-3-3, versão Champions com André a fazer de falso extremo, mas ontem não tinha André, o único médio capaz de desempenhar bem essa função. Ora bem, não tendo os jogadores para o modelo pretendido, criou um modelo para os jogadores que tinha, reforçou a defesa não destapando o meio campo e deixou duas motas na frente capazes de confundir a defesa londrina. Honestamente, não consigo ver nesta forma de pensar algo tão despropositado e desfasado da realidade que seria o embate com o Chelsea. Há uma coisa que não tenho duvidas, Lopetegui conhece o Chelsea melhor do que qualquer um de nós e acreditou que esta seria a fórmula mágica para derrotar os ingleses na sua própria casa. Infelizmente, o Porto perdeu, não porque jogou em 5-3-2, mas porque o Chelsea é e foi melhor que nós, deu-nos a iniciativa de jogo e fodeu-nos no contra-ataque. Tão Mourinho, não é? A estatística dos jogos consegue ser muitas vezes curiosa e ontem foi um desses casos, senão vejamos, o Porto perde e bem por 2-0, mas tem mais remates que o Chelsea (11-16), tem mais cantos (5-6) e acaba o jogo com uns impressionantes 61% de posse de bola a jogar fora de casa. Mourinho não anda a dormir, fez entrar Ramires para o lugar de Fábregas e o panzer Diego Costa para o ataque, ao contrário do que fez nos 2 anteriores jogos do campeonato. Deixou o Porto jogar, deixou-o ter bola e foi fulminante a sair para o contra-ataque.

O historial de jogos em Inglaterra era assustadoramente negativo para o Porto antes da visita a Stamford Bridge, em 16 jogos disputados com equipas britânicas, tínhamos apenas 2 empates e 14 derrotas. Equipas como o Newcastle em 69 (1-0), o Wolverhampton em 1974 (3-1), o Tottenham em 1992 (3-1), o Arsenal em 2006 (2-0), 2008 (4-0) e 2010 (5-0) ou o City em 2011 (4-0), que não ganham absolutamente nada a nível europeu, foram capazes de nos vencer, e em muitos dos casos, golear. Mas Lopetegui, ouve uma cena, o Porto perdeu ontem por 2-0 com o Chelsea por tua única culpa e porque não foste capaz de manter o esquema habitual de 4-3-3. Todos os anteriores treinadores que visitaram Inglaterra, perderam ou em poucos casos empataram, porque os adversários foram melhores e não por tentarem inventar uma fórmula mágica, não é Jesualdo?

Quando soube do onze inicial, percebi que Lopetegui preparava algo de diferente para atacar o apuramento mas persistia a duvida se jogaríamos em 5-3-2 ou com Layún a jogar mais avançado, duvidas essas que ficaram dissipadas mal soou o apito inicial do turco Cüneyt Çakir. A verdade é que o Porto entrou em campo a jogar de forma muito personalizada, e não fosse a infelicidade dupla de Marcano no minuto 12 e o jogo poderia e deveria ter sido outro. O golo precoce do Chelsea não desmontou a organização do Porto que embora não criando perigo, conseguia manter o Chelsea afastado da sua área, e só através de lances de bola parada é que assustava o tranquilo Casillas. A excepção foi um remate de Óscar que volta a tabelar em Marcano, saindo a rasar o poste. O intervalo chega e Lopetegui decide não mudar nada, mantendo o onze que iniciou a partida. O Chelsea foi o 1º a criar perigo num lance em que o Wilian permite a defesa de Casillas e o Porto responde num remate de fora da área de Corona. O Porto volta a rematar por Brahimi que infelizmente mete a bola na bancada quando tentava metê-la na gaveta e à 2ª tentativa Wilian não perdoa, numa cópia da jogada do inicio da 2ª parte. Marcano ainda assusta Courtois numa cabeçada na sequência de um canto e Lopetegui decide mexer e montar o habitual 4-3-3 com a entrada do Sadbakar. Brahimi volta à esquerda, Corona cola-se na direita e de imediato faz mossa numa jogada que faz o que quer de Azpilicueta, cruza para Brahimi, que domina bem a bola, remata colocado mas infelizmente a bola desvia na cabeça de Ivanovic. O Chelsea dá definitivamente a posse de bola ao Porto, mas procura sempre o erro dos azuis e brancos e Óscar está perto do golo num lance que remata de calcanhar. Tello que tinha entrado para o lugar de Herrera obriga Courtois a uma boa defesa num remate que dá a ideia de não ir na direcção da baliza mas o Chelsea responde num remate ao poste de Hazard. Estávamos numa fase em que o 3-0 estava tão perto como o 2-1 porque o jogo estava louco e completamente aberto, mas até final foi novamente Brahimi a criar perigo num grande remate de primeira que passa a beijar o poste. O apito final chega, a derrota é justa, embora a equipa tenha feito tudo o que estava ao seu alcance para fazer a tal história que todos os portistas desejariam. Se formos intelectualmente honestos, não poderemos afirmar que o resultado seria outro caso Lopetegui não tivesse "inventado". Adeus Liga dos Campeões, olá Liga Europa.
 

Para finalizar, aquela recepção lastimável à equipa e treinador no aeroporto, com tentativas de agressão a Lopetegui que censuro, e com as quais não me identifico minimamente. A nação portista está descontente, tem razões para isso, mas comités de "boas-vindas" selvagens ao nosso treinador são actos que em nada dignificam o comum e apaixonado adepto portista. Ser portista deveria ser muito mais do que isto. 


Brahimi - O MVP da partida. O argelino não marcou, não assistiu mas fez um jogo enorme. Uma hora muito ingrata, onde foi médio criativo, extremo, avançado mas sempre a procurar o espaço e a bola. Voltou à sua posição natural com a entrada de Aboubakar e foi sempre dos seus pés que nasceram as jogadas de maior perigo do Porto. A equipa lutou muito mas o argelino foi sempre o mais inconformado. Um grande jogo na maior montra do futebol mundial.
Corona -A par de Brahimi, fez a dupla de ataque no sistema improvisado (ou talvez não) de Lopetegui. Trocou várias vezes de posição com o argelino na tentativa de desmontar a defesa de betão do Chelsea mas foi a extremo que foi mais incisivo.
Casillas - Não foi por ele que o Porto perdeu este jogo. Fez o que podia no lance do primeiro golo e não tem a mínima hipótese no míssil de Willian. Deu sempre segurança à equipa e foi sempre evitando o inevitável.




Adeus Champions - Depois de 10 pontos em 4 jogos e estarmos à distância de um empate nos 2 últimos jogos da fase de grupos, ser eliminado da Champions é como nos espetarem uma faca e rodar para ambos os lados. Vêm aí a Liga Europa, competição onde até fomos felizes em 2003 e 2011 mas ouvir o hino da maior prova europeia de clubes sem ver o nosso Porto, será de uma enorme azia.
Marcano - Decididamente não foi o melhor jogo do central espanhol. Duplamente mal no lance que inaugurou o marcador, não consegue fazer um corte aparentemente fácil e como se não bastasse, vê a bola bater-lhe depois da boa defesa de Casillas e encaminhar-se para dentro da baliza.
Lopetegui - Nada nem ninguém poderá garantir que ganharíamos o jogo caso o nosso treinador não tivesse alterado o nosso esquema habitual, mas mudanças "abruptas" em jogos chave tendem a dar mal resultado.





sábado, 26 de setembro de 2015

Moreirense 2 vs FC Porto 2 - 25.09.2015 - Liga Portuguesa

O masoquismo Portista. 

Como é habito, comecemos por um pouco de história e estatística acerca das viagens do Porto a Moreira de Cónegos. Antes do jogo desta noite e em 5 jogos no Comendador Joaquim Almeida Freitas, o nosso Porto empatou 2 e ganhou 3, ou seja, não sendo um adversário temível, é um clube que nos merece algum respeito. Hoje jogou-se novamente e o resultado deu empate, o que somando aos jogo anteriores, facilmente se percebe que o Porto só ganha 50% dos jogos efectuados em casa do Moreirense.

Queria ter escrito qualquer coisa no intervalo temporal entre o jogo com o Benfas e este com o Moreirense, mas compromissos familiares não me permitiram, no entanto tive oportunidade de ler um pouco por toda a Bluegosfera, avisos reais, que eu subscrevo na totalidade, do perigo que seria um jogo após a euforia da vitória sobre o nosso maior rival e um confronto de Champions contra o Chelsea. Os alertas foram dados, quase que como uma premonição, mas infelizmente a nossa equipa não lê os blogues azuis e brancos.

O nosso Mister fez alterações na equipa mais ou menos previsíveis, a pensar não só no Chelsea, mas também no constante refrescar da equipa, usando a famosa rotatividade, algo de que o nosso treinador é fã e não abdica. O 4-3-3 estava bem patente desta vez e não deixava espaço para duvidas, de quem e onde cada jogador ocuparia o seu lugar em campo. O jogo começou com 3 minutos surreais, Marcano a escorregar, passes errados, a bola tinha picos. Maxi quis pôr ordem na coisa e faz uma arrancada vistosa mas inconsequente depois do mau cruzamento do Corona. A jogada não teve qualquer tipo de perigo mas serviu para o Porto acordar, acalmar e pegar no jogo pelos colarinhos. A equipa fazia o seu habitual jogo de posse no meio campo adversário quando o Maxi "saca" uma falta, superiormente cobrada pelo "especialista" Maicon, num livre directo "à la Barroso". O mais difícil estava feito, golo marcado cedo no jogo e controlo total do tempo e espaço. Osvaldo pouco depois dá um cheirinho do que pode fazer numa recepção orientada, seguida de remate perigoso. Nesta primeira meia hora apercebi-me da exacerbada aversão que o Brahimi tem em passar a bola ao Láyun, algo que me irrita solenemente, mas que ao mexicano lhe deve tirar o sono. O tempo passava, a equipa adormecia mas o nosso André não deixava o jogo arrefecer e numa jogada individual plena de técnica e força, provoca um calafrio ao Stefanovic. Maicon acaba a 1º parte com um cabeceamento perigoso a revelar toda a confiança que atravessa no momento. A 2º parte começa praticamente com o golo do Moreirense, numa jogada em que Cardozo e o Medeiros desmontam meia equipa portista e provocam uma cratera gigante na defesa do Porto. O jogo ficou meio manhoso durante algum tempo, o Lopetegui percebeu isso e trocou Herrera por Tello, passando o Corona para o meio e o esquema táctico foi alterado para um 4-2-3-1, com o Danilo e o André a jogarem lado a lado. Foi uma mudança altamente proveitosa, o Porto tomou novamente conta do jogo e permitiu ao Corona brilhar como ainda não o tinha feito durante a primeira hora de jogo. Corona primeiro e Osvaldo depois, têm 2 oportunidades de golo flagrantes mas o empate manteve-se. Lopetegui sente que é preciso algo mais e põe toda a carne no assador a 15 minutos do fim, quando tira o Marcano e faz entra o nosso Coolbakar. O Porto passa a jogar numa espécie de 3-3-4, a fazer lembrar o saudoso Co Adriaanse, e chega novamente ao golo por Corona, que aproveita da melhor maneira o facto do Moreirense ter ficado atordoado depois de ver tanto portista na sua área. Osvaldo poderia ter sentenciado o jogo, depois de um grande passe do nosso Coolbakar, mas como quem não marca sofre (merda de chavão), acabamos por levar mais um golpe no lombo em cima do minuto final.


Maicon - O MVP da partida. Atravessa um grande momento de forma, muito possivelmente a melhor fase desde que chegou ao Porto. Marcou o seu 2º golo no campeonato, curiosamente o 2º de bola parada, num livre superiormente bem marcado. Transpira confiança, facto que lhe permite disputar qualquer lance com a certeza que o vai ganhar e está com uma percentagem de passes longos certos a fazer inveja aos anos brilhantes do Rafa Marquez no Barcelona.
André - Mais um jogo, mais 90 minutos sempre a abrir. Com já foi dito por muito portista, neste momento é o André e mais 10. Jogou uma hora a 8, e com a entrada do Tello recuou no terreno, numa e noutra função o grau de êxito andou nivelado sempre por cima.
Corona - O Porto jogou com 10 a primeira hora de jogo e com 12 a meia hora seguinte. Corona foi 8 na ala e 80 no meio., um facto tão curioso que merece a atenção do nosso Mister. Marcou o nosso 2º golo, num lance cheio de técnica e frieza.
Claques - Mais uma vez, mérito seja dado aos nossos meninos, foram incansáveis no apoio à equipa, mesmo naqueles momentos difíceis do jogo.


Casillas - Não o considero um ódio de estimação, mas não morro de amores pelo espanhol, nunca o fiz e duvido que o venha a fazer, agora que é jogador do meu clube. Teve pouco trabalho durante toda a partida e sofre 2 golos, é um jogo ingrato para toda a equipa e principalmente para ele. Mesmo tendo feito uma boa defesa no final do jogo e friamente analisando, sou só eu que fiquei com a ideia que poderia ter feito muito mais no lance do 2º golo? É um cruzamento bombeado para um cabeceamento feito já dentro da pequena área.
Herrera - Está em pior forma do que eu, e eu peso mais de 90 quilos, o que diz muito do momento do mexicano. Falta férias, praia, falta descanso ao moço, é tão evidente que chega a ser desesperante vê-lo jogar. Aqui que ninguém nos ouve, o Herrera já passava a pasta ao nosso Sérgio.
Brahimi - O coelho da cartola pode sair a qualquer momentos, mas nos ultimos 3 jogos, nem houve coelho nem cartola. O argelino não gosta do Láyun, fica evidente a cada jogo que passa, o que faz com que o mexicano faça piscinas inconsequentes.
Segurar a vantagem - Aconteceu em Kiev e hoje voltou a acontecer por duas vezes, o Porto não conseguiu segurar a vantagem no marcador. Um pouco mais de manha e menos romantismo, nunca fez mal a nenhuma equipa profissional.






Atitude de uma pessoa que retira prazer ou parece gostar do seu sofrimento ou humilhação.

"masoquismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/masoquismo [consultado em 26-09-2015].
Atitude de uma pessoa que retira prazer ou parece gostar do seu sofrimento ou humilhação.

"masoquismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/masoquismo [consultado em 26-09-2015].

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

FC Porto 1 vs Benfica 0 - 20.09.2015 - Liga Portuguesa


A vitória do Mestre André.

O estado de espírito neste momento é obviamente o mais melhor bom possível. Depois de 2 anos a ver o rival ser campeão, e de na ultima época não termos conseguido ganhar ao Benfas, sabe muito bem um miminho destes. Feliz, pela vitória, pela minha família e amigos portistas, pelos adeptos que estavam a precisar de um rebuçado destes para começarem a acreditar mais na equipa e feliz por Lopetegui, um homem que embora não seja português, sente o clube como se tivesse nascido no Dragão, e que mais que qualquer outro, precisava de provar a si mesmo, que consegue ganhar a qualquer clube em Portugal. Quebramos o enguiço e voltamos a ganhar ao rival, num jogo que até ao minuto 86, esteve muito perto de terminar empatado. Foi a 13ª vitória seguida em casa no campeonato, o 33º golo marcado e nenhum sofrido. Notável. O Dragão é a nossa casa, o nosso ninho, a nossa fortaleza.

Lopetegui optou pelo melhor onze, ou se quisermos, o onze em melhor forma. Danilo e Herrera ou Tello e Varela podem ser titulares em qualquer altura, mas num jogo em que era fundamental ganhar e depois de alguma gestão no jogo de Kiev, esta era a melhor equipa possível para o simbolismo e grau de dificuldade do jogo. Apesar da equipa estar teóricamente montada para um 4-3-3, Lopetegui tentou surpreender o seu rival e apresentou um 4-4-2, com André do lado direito e Corona praticamente ao lado do Coolbakar, um esquema que lhe permitia encaixar no clássico sistema de Jorge J... Rui Vitória. O jogo começou algo descaracterizado, a dar a ideia que os jogadores do Porto se estavam a adaptar às posições e foi o Imbula a provocar o 1º bruaá no Dragão com uma cueca criminosa ao Andreas "fala português bem pra caralho" Samaris. O Benfica responde pelo mesmo homem, Mitroglou obriga Iker a 2 boas defesas em resposta a 2 boas cabeçadas do grego. Mitroglou volta a estar perto do golo por volta dos 25 minutos mas chega atrasado ao cruzamento e nesta fase o Benfas parece-me ligeiramente melhor e mais tranquilo. Lopetegui percebe isso e desmonta o 4-4-2, voltando André para o meio e Corona para a faixa e o Porto mesmo sem criar jogadas de perigo, acaba a 1ª parte por cima. Antes de ir ao para os balneários, o Maicon tentou aparar o cabelo ao Jonas. O chá, bagaço, licor Beirão ou outra qualquer merda foi dada ao intervalo e a equipa acordou do coma induzido nos primeiros 45 minutos. Coolbakar agradeceu o cruzamento à medida do Mestre André mas infelizmente cabeceia ao poste. Estava dado o mote para uma 2ª parte em cima do Benfas. O jogo estava vivo, tão vivo que o Maxi ainda pensava que estava no Benfas e carrega Jonas, um jogador que prometeu a Gaitan que desta vez ia cair mais vezes do que o argentino. O André Almeida, achou que valia tudo e dá uma cotovelada mesmo com o cotovelo no nosso André e Soares Dias pensa " hoje não vou expulsar ninguém". O Porto continuava por cima, quando o nosso André desmarca o Coolbakar que na sua inocência não cai na área quando é tocado pelo Luisinho e tenta marcar já sem ângulo e força. O Eliseu quis ser feliz e tenta colocar a redondinha onde a aranha faz a teia e Mitroglou, sempre ele, cabeceia novamente com perigo. Láyun, um pouco em desespero, também tenta a sua sorte de fora da área mas o momento 92, desta vez foi aos 86 com um golo do Mestre André. O estádio abanou mas a minha casa é que veio abaixo.

42-22 em ataques, 12-6 em remates, 65-35% na posse de bola, números que revelam um claro, embora nem sempre perigoso, ascendente do Porto sobre o rival. Segue-se o Moreirense fora de casa, num jogo em que Lopetegui deve voltar a mexer na equipa a pensar no jogo da Champions contra o Chelsea. Temos neste momento 13 pontos em 15 possíveis, empatamos na Madeira onde tínhamos perdido o ano passado, e ganhamos ao Benfas em casa, ao contrário da derrota do ano passado. Friamente falando, estamos a ganhar pontos onde perdemos a época passada, o que traduz uma clara melhoria pontual. Acredito que a vitória de hoje valha mais que os 3 pontos, assim como a derrota do ano passado, embora numa altura diferente da época, tenha significado bem mais que uma simples derrota.


André - O MVP da partida. Como se diz cá na terra, que jogador do caralho! O moço transpira Porto até de baixo de água. Jogador totalmente fulcral no esquema de Lopetegui. Dá o que tem, o que não tem e o que alguns colegas não conseguem dar e depois diz coisas como "Sentimento muito especial. Sentimento de dever cumprido. Foi uma jogada muito bonita. O importante foi a vitória do Porto e não o golo do André, mas fazer um golo no clássico pelo meu clube do coração é tudo o que sempre sonhei." Mais do que um jogador à Porto, um portista à Porto. A par de Aboubakar, o jogador que mais merecia o golo.
Aboubakar - O nosso menino esteve 1 ano com Jackson, bebeu da mesma gamela que o colombiano, aprendeu de tudo um pouco, deu-lhe o seu cunho pessoal e actualmente é um touro em campo. Trabalha nos limites, e às vezes é difícil entender como joga tanto tempo numa rotação tão alta. Hoje merecia o golinho da praxe, ainda enviou uma bolacha de cabeça ao poste, e tentou marcar um golo, depois de ter levado um toque dentro da área. Jogasse ele de vermelho e branco e tinha dado 7 voltas no chão agarrado ao joelho. Tentou marcar mas não conseguiu e foi do banco que festejou o golo do Mestre.
M&M's - Marcano imperial e Maicon certinho apesar de algum descontrolo emocional. Mais um jogo sem sofrer golos, algo que se vem tornando comum sempre que esta dupla joga à frente do Keeper. Marcano teve sempre a tranquilidade que faltou a Maicon, principalmente naquela paragem cerebral À La Pepe que lhe podia ter custado caro. Seja como for, jogo complicado mas podem ir para casa com a sensação do dever cumprido.
Maxi - 8 anos de Benfica e depois? El Mono foi tudo menos um mono. Secou Gaitan na medida do possível, arriscou ver 7 amarelos no mesmo jogo mas deixou tudo em campo de forma a ninguém perceber que jogou quase uma década no rival. Diz-se que ganha um salário criminoso para a realidade portista mas como eu costumo dizer, todos os jogadores ganham muito, mas há uns que merecem mais do que outros. Este merece tudo o que ganha.
Claques -  As 2 claques portistas embelezaram ainda mais a vitória com 2 grandes coreografias.



Brahimi - O argelino não está em forma, ponto. As alternativas são Tello e Varela que como se viu hoje, também deixa muito a desejar. Dos 3, e partindo do principio que nenhum está em forma, aceito que jogue Brahimi porque é o único capaz de sacar um coelho da cartola de um momento para o outro. O homem está sempre em jogo, é activo, nunca se esconde mas a verdade é que quase tudo lhe saiu mal. Acaba o jogo com aproximadamente 60% de passes certos, o que para um jogador com a sua influência, é claramente pouco.
Corona - Quando eu pensei que o mexicano ia fazer do Eliseu, uma galocha, o extremo portista faz um jogo fraquinho, fraquinho. Espero que de futuro se veja mais Arouca e menos Benfas nas exibições do Tecatito.
Adeptos - É o jogo que todo o portista espera que aconteça na época, então como explicar tanto silêncio no estádio? Eu, o maior portista de sofá do mundo, não entendo.























segunda-feira, 27 de abril de 2015

Benfica 0 vs FC Porto 0 - 26.04.2015 - Liga Portuguesa












Adeus e até para o ano.

Meus amigos, desengane-se quem pensa que Lopetegui sairá no final de Maio, depois de uma época onde tudo aponta para que não ganhemos merda nenhuma. Lopetegui foi contratado para 3 anos e acredito que, não só os cumpra, como provavelmente os prolongue. Há um projecto, há uma ideologia de jogo nas quais eu acredito, não cegamente como o outro, mas honestamente. Como portista é doloroso passar mais uma época sem ganhar nada, mas ficam os indícios de um futuro ganhador. Talvez ele não se lembre, mas em Outubro/Novembro do ano passado, confidenciei a um bom amigo vermelho - sim, também os tenho - que aceitaria e compreenderia que o Porto não fosse campeão esta época, porque depois do que tinha visto este ano, acreditava piamente que seriamos campeões nos próximos 2/3 anos. Hoje mantenho essa ideia. Lopetegui cometeu muitas falhas durante toda a época, e hoje mesmo não deixou de as cometer, mas há algo que me pareceu óbvio durante o decorrer deste ano desportivo, o basco aprende com os erros e essa mesma aprendizagem que quero ver em prática nos próximos longos anos.

Não fosse a cena entre Lopetegui e Jesus no final do jogo animar a coisa e poder-se-ia dizer que a partida começada às 17 horas, não teria sido um Benfica - Porto. Semana pré-jogo tranquila, conferências de imprensa relaxadas, clássico meiguinho, ingredientes que resultaram num empate com sabor a vitória para vermelhos, e altamente penalizador para azuis e brancos. Campeonato praticamente entregue a 4 jornadas do fim. Resta ao Futebol Clube do Porto honrar a linda camisola que veste ganhando todos os desafios até ao fim, esperando que algo parecido com o momento K92Lvin volte a acontecer... duas vezes.

Hoje, o nosso Mister surpreendeu com o onze inicial. Talvez ainda abalado pela violação de Munique, optou pelo povoar do meio-campo. Não mudando o habitual 4-3-3, mudou as peças que desempenhariam o papel no habitual esquema de jogo. Quaresma, Herrera e principalmente Fabiano, começaram surpreendentemente - ou não - no banco, entrando Evandro, Rúben e Hélton para os seus lugares. Evandro entraria para o lugar de Óliver, empurrando o espanhol para a ala. A ideia seria preencher o miolo do terreno com gente que sabe tratar a bola, deixando Jackson e Brahimi entregues às missões ofensivas. Lopetegui deu a entender que esperava um Benfas forte desde o inicio da época e precaveu-se. O Jesus foi mais pragmático, o empate era um excelente resultado por isso jogou declaradamente para o ponto, com sucesso. 

O jogo foi muito disputado, quase nunca bem jogado, com muita parra e pouco uva. O Porto dominou praticamente toda a primeira parte porque tinha mais jogadores no meio campo. Aquele ataque desenfreado à baliza de Hélton não aconteceu como supostamente Lopetegui terá previsto e a equipa ficou algo partida, tinha muita gente a defender para deixou Jackson entregue aos leões. A primeira ocasião de golo chega pelos pés do inevitável Jackson que depois de um cruzamento de Danilo, remata da marca de pénalti por cima da barra. Foi a primeira e única situação de golo durante TODA a primeira parte. Muito pouco, principalmente porque como portista esperava um ataque à bomba à baliza de Júlio César.

A segunda parte foi mais equilibrada. Lopetegui deixou o Rúben no banco e fez entrar Herrera e pensei eu que seria o mexicano a jogar na ala, passando Óliver para o meio, aproveitando assim as "piscinas" do Hector. Afinal tudo se manteve tudo igual, mesmo quando algum tempo depois entrou Quaresma para o lugar de Brahimi. A pureza do 4-3-3 só voltou em pleno com a entrada de Hernâni para o lugar de Evandro. Uma coisa que me fui apercebendo não só na primeira parte, como até à entrada de Hernâni, foi que a equipa não percebeu que não tinha nenhum extremo nas 2 alas. Tentou vários passes para uma zona onde não estava ninguém, porque o ex-Vitória e Quaresma estavam no banco e Brahimi não é o tipo de jogador que finte para a linha porque a sua tendência é sempre vir para dentro. Embora o Porto precisasse de ganhar, primeiro, e pensar em fazê-lo por 2 golos de diferença, depois, o jogo acabou tal como tinha começado, meiguinho.



Casemiro - O melhor em campo. Foi aquele lutador e gladiador que nos tem vindo a habituar nos últimos meses. Espero muito sinceramente que o Porto exerça a opção de compra sobre o brasileiro porque me parece um jogador fulcral para o esquema de Lopetegui. O melhor elogio que lhe posso fazer hoje, foi que secou Jonas, o melhor marcador do Benfas esta época.
Jackson - Um jogo de muita entrega, muita luta, muito suor mas algo ingrato. Jogou praticamente os noventa minutos muito sozinho na frente. Teve a melhor oportunidade de golo, ainda na primeira parte, mas para além disso, só me lembro de outro remate de cabeça.
Hélton - Fiquei dividido quando soube que seria o capitão o dono da baliza portista. Disse-o durante esta semana, que embora Fabiano não fosse o único culpado da tragédia de Munique, parecia-me claro que ficou sempre a ideia de que poderia ter feito mais nos 6 golos sofridos. Lopetegui optou pela mudança de guarda-redes e não o podemos criticar por isso. Embora o Capitão não tivesse tido muito trabalho, aquela tranquilidade que ele transmite em tudo o que faz, para o resto da equipa, é sempre salutar.



Lopetegui - Com o onze inicial apresentado na Luz, procurou antecipar algo que não se veio a confirmar. Falhou nas escolhas e tentou corrigir ao longo da partida mas ficou sempre a sensação, que mexesse na equipa da forma que mexesse, o resultado não se iria alterar. Talvez a maior critica que faça ao jogo de Lopetegui não só neste jogo mas durante toda a época, é a falta do Plano B.
Plano B - Sou suspeito para falar porque gosto do "chuveirinho" quando a situação assim o impõe. O Porto de Lopetegui não tem Plano B. Ponto. Quando está a perder ou empatado é incapaz do chuto para a frente, de meter 2 avançados na área, de fazer algo que de certa forma, contrarie e se diferencie daquele jogo de passe e posse, imagem de marca do basco. Infelizmente torna-se um futebol algo previsível para o adversário. A forma como a equipa hoje termina o jogo a fazer troca de bola entre os defesas é sintomático disso mesmo.
Brahimi - Quem és tu que tem jogado com a camisola do Brahimi? Brahimi viajou para a CAN e nunca mais voltou. As equipas adversárias já toparam o argelino à totil, mas o argelino ainda não topou como deve jogar. Enrola, mastiga, deita fora, roda, embrulha, rodopia e quando dá por ela, repara que andou em círculos num raio de 2 metros. 
Quaresma - Entrou aos 56, viu amarelo aos 59 minutos, o que dá a ideia de que se tem começado o jogo de inicio, não o iria acabar. Não deu aquele abanão e desequilibro que seria preciso a partir do momento em que entrou em campo.