Pragmático QB

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domingo, 6 de novembro de 2016

FC Porto 1 vs Benfica 1 - 06.11.2016 - Liga Portuguesa

O carrasco Herrera finalizou o que o Nuno iniciou.

Jorge Costa na sua habitual crónica escrita no Jornal OJOGO, dizia hoje que em dias de clássico tudo era diferente, desde a forma como encaravam o estágio, à forma como os empregados do hotel onde a equipa estava reagiam á presença dos jogadores. O antigo capitão classifica como o jogo dos jogos, o maior clássico do futebol português, o jogo entre as duas maiores equipas do país.

Eu partilho da mesma opinião, acrescentando ainda que é daqueles jogos que nunca se pode perder, sendo o empate um resultado positivo unicamente em ocasiões muito especiais. As visitas do nosso rival à Invicta, devem começar a ser jogadas logo após o autocarro vermelho passar a fronteira de Coimbra, devendo continuar com a pressão no hotel, culminado com a batalha das 4 linhas. Não sei se ainda o fazem, mas era habitual a equipa vermelha pernoitar num hotel em Gaia relativamente perto do local onde vivo e lembro-me perfeitamente de um ano em que colocaram uma tarja em frente ao hotel que dizia "Ides Sofrer Como Cães", essa época foi a última em que fomos campeões, e o jogo foi ganho à pàla do Kelvin. Coincidências.

Esta semana muito se falou e escreveu sobre a célebre frase de Pedroto que dizia que "Enquanto fomos bons rapazes, fomos sempre comidos". Eu, mais uma vez partilho da opinião de grande parte da nação portista, que chegou a altura de dizer BASTA, chegou a altura de fazermos jus à fama que temos de "Feios, Porcos e Maus".

Sobre o jogo de hoje, há um facto inquestionável, a equipa terá feito um dos melhores jogos da temporada, embora o resultado nem pouco, mais, ou menos, tenho sido positivo e o que todos os portistas desejariam. Faz-me lembrar a velha máxima sportinguista, "Jogaram como nunca, perderam como sempre". Provamos um pouco do sabor amargo de sofrer um golo nos descontos, embora as comparações com o golo aos 92' do Kelvin não façam qualquer sentido, dado o que um e outro jogo significaram.

O Porto entrou muito forte no jogo, pressionou alto, recuperava rapidamente a bola, criava perigo, não deixava o Benfica rematar à baliza de Casillas e o empate ao intervalo não traduzia o que se tinha passado em campo durante os primeiros 45 minutos. Esmiuçando os números da 1º parte, facilmente se percebe que só uma equipa poderia estar em vantagem, o Porto goleava na posse de bola (61-39%), nos remates (9-5) e principalmente nos remates enquadrados à baliza (5-0). O Porto estava a perder uma excelente oportunidade de estar a ganhar com alguma facilidade ao rival. A 2ª parte começa praticamente da mesma forma, com a diferença do golo do Benfiquista Jota, que finalmente dava alguma justiça ao marcador e quando se pensava que a equipa partiria em definitivo para uma vitória categórica, Nuno primeiro com as substituições de marcha atrás e Herrera depois com uma intervenção no jogo suicida, provocaram um empate muito difícil de digerir.

O Porto perdeu uma excelente oportunidade de encostar no primeiro classificado, já o tinha feito com o empate em Setúbal e manteve a mesma fórmula com o empate de hoje. A juventude explica alguma coisa, a ineficácia explica alguma coisa, a aselhice explica alguma coisa e Nuno pode explicar o resto e o resto para mim é porque é que estando em vantagem, nos custa tanto matar os jogos. A mentalidade de equipa pequena que se agarra ao 1-0 parece não abandonar a equipa e Nuno tem culpa directa nisso.

Nota de destaque: Esta crónica é feita algo a quente, por isso é normal que me esqueça de alguma coisa, ou que não veja e entenda o jogo como realmente aconteceu.



Felipe - O MVP da partida. Acho que já restam poucas dúvidas, estamos perante um centralão. O brasileiro fez mais um grande jogo, limpou tudo pelo ar e pela terra. Continua a ter alguma dificuldade em sair a jogar, mas isso resolve-se facilmente, basta passar a bola ao Danilo. Já o disse e repito, não me admirava nada se daqui a relativamente pouco tempo, a braçadeira estiver no braço deste menino. No lance do golo estava a cobrir a zona como é habitual e não tem culpas directas no lance.
Marcano - Mais uma grande exibição. Ao ver esta dupla de centrais a jogar percebe-se facilmente o porquê de apenas termos sofridos 5 golos no campeonato. Não tão exuberante como o Felipe mas igualmente eficaz. No golo sofrido estava a marcar Mitroglou, por isso está também isento de culpas.
Danilo - Apesar do golo do empate ter acontecido na sua zona de acção, isso não apaga uma grande exibição. Comandou as tropas, foi o patrão do meio campo e ainda teve tempo recuperar 11 vezes a bola.
Alex Teles - Um dos melhores jogos do brasileiro. É um jogador que normalmente não deslumbra mas cumpre sempre, seja a defender ou a atacar. Depois da saída do outro Alex, o Sandro, parece que mais uma vez acertamos no lado esquerdo da defesa, ainda por cima porque só tem 23 anos.
Óliver - Que mimo que é ver este puto jogar, mesmo quando faz aquelas rotundazinhas, não deixando ninguém tirar-lhe a bola. É um dos indiscutíveis de Nuno, já o era com Lopetegui e os 20 milhões por um puto de 21 anos cheio de potencial, parecem-me um valor justo a pagar.
Nuno Espírito Santo (+/-) - Não costumo gostar de surpresas nos onzes iniciais, principalmente nestes jogos decisivos mas a verdade é que hoje o Mister me surpreendeu pela positiva, a titularidade mais que merecida de Corona em vez do desequilibrado Herrera pareceu-me uma decisão óbvia de alguém que tem os tomates no sitio. Nota 10 para Nuno. O pior veio depois do golo marcado, Nuno fez sempre substituições de marcha atrás, entregou o comando do jogo ao Benfica mas mesmo assim, nada fazia prever a paragem cerebral (mais uma) do Herrera. Nota 5 para Nuno. O treinador foi audacioso na hora de escolher o melhor onze para o jogo, mas foi temeroso depois de se ver em vantagem.
Casillas - Aposto que nem o espanhol contaria com uma noite tão tranquila mas a verdade é que Casillas teve seguramente um dos jogos mais fáceis da carreira. Fez pouco e o pouco que fez, fez bem. Uma grande defesa a remate de Samaris e um punhado de pequenas mas boas intervenções resumem o jogo do nosso redes esta noite.
Diogo Jota - Benfiquista ou não, pouco interessa nestas ocasiões, marcou o único golo da equipa, festejou como se fosse azul desde pequenino e foi sempre uma constante ameaça à baliza de Ederson. Ou é o André ou o Jota a resolver, por isso estamos muito bem servidos com esta canalha na frente.


Herrera - O mexicano não andava a fazer jogos muitos famosos e foi relegado para o banco com alguma naturalidade. Herrera é o patinho feio da equipa e já não é de agora, desconfio que sempre o foi desde que chegou ao Porto mas a verdade é Paulo Fonseca, Lopetegui, Peseiro e agora o Nuno, simpatizam com ele e vêm nele um jogador crucial na equipa, ao ponto de o elegerem capitão. Sou fã do Héctor desde a sua chegada mas entendo que depois do que se tem vindo a passar nas últimas semanas e principalmente depois da cagada de hoje, a vida do mexicano na Invicta não se preveja nada pacifica. Hoje esteve 7 minutos em campo e foi decisivo, provocou um canto que nem a diabo lembra e dá espaço e permite ao Horta fazer o cruzamento para o golo. Pior seria difícil. Por outro lado e pondo-me um pouco do lado do jogador, acredito que não vai ser uma noite nada fácil para o mexicano.


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Tondela 0 vs FC Porto 0 - 18.09.2016 - Liga Portuguesa

Procura-se goleador, com ou sem experiência.

Um pequeno preâmbulo antes da análise ao jogo de Tondela, para falar do árbitro Hugo Miguel em particular e da arbitragem nos jogos do Porto esta época no geral, em caso de dúvida estamos e pelo que se tem visto continuaremos a estar, sempre a ser prejudicados. Ou são penáltis, ou são foras-de-jogo, ou são faltinhas de merda marcadas contra nós, ou são golos mal anulados, de tudo um pouco tem acontecido sempre a desfavor do Porto. Hoje o Deproite fez-me lembrar de certa forma o Hulk (salvas as devidas distâncias técnicas, físicas, whatever), porque ao mínimo contacto com os adversários, via-lhe ser marcada falta. Hugo Miguel teve uma arbitragem manhosa, condescendente com a dureza do Tondela, que teve o seu ponto alto, ou baixo neste caso, quando interrompeu o jogo para marcar uma falta a favor do Porto quando Adrian Lopez estava isolado e em excelente posição para marcar, supostamente porque estaria em fora-de-jogo.

Ao ver este Tondela jogar é impossível não me lembrar do Boavista dos anos 90, 2/3 flechas na frente, uma equipa muito aguerrida, muito anti-jogo e distribuição de muita porrada, um pouco à imagem do seu treinador Armando Teixeira, conhecido no mundo do futebol como Petit. O Porto tem de certa forma um problema com o Tondela, não sei se será da cor dos equipamentos, ou de outro qualquer motivo mas a verdade é que em 3 jogos com os Beirões, o Porto ganhou unicamente um, numa vitória no Estádio João Cardoso por 0-1 com um coelho da cartola sacado pelo Brahimi aos 28 minutos. De lá para cá, uma derrota e o empate de hoje, o que faz do Tondela um dos adversários mais temidos pelo Porto a nível nacional.

Hoje o jogo começou às 18 horas mas o Porto só apareceu para jogar passados 15 minutos e só percebeu que tinha de marcar por volta dos 75 minutos de jogo, altura em que dispusemos de 2 boas ocasiões de golo por André Silva e outra por Adrian. Foi um jogo complicado, o normal após jornadas europeias (o Sporting que o diga), Nuno fez algumas alterações, claramente para dar sangue novo e frescura à equipa, mas o Porto tinha obrigação de fazer claramente mais. O Mister voltou a usar a fórmula do jogo com o Guimarães, com Deproite e André Silva na frente e Brahimi e Otávio nas alas. Sinceramente é um esquema que me agrada quando se usam extremos mais clássicos, daqueles que tem a tendência para ir à linha e não com as sistemáticas vindas para dentro como faz o Porto. Se Nuno gosta deste esquema, se calhar não é pior ideia apostar em Adrian ao lado de um dos pontas de lança, como se viu com a sua entrada, parece combinar melhor com André Silva, do que o Português com o Belga. Óliver revelou ser uma excelente aposta porque a sua entrada em campo coincidiu com o melhor período do Porto. Hoje sim, Nuno pode falar em falta de eficácia, mas não está isento de culpas deste problema, porque segundo se consta, Aboubakar foi afastado da equipa por vontade do treinador e nem o André, nem Deproite são melhores que o camaronês, e Suk não é inferior a Deproite, com a vantagem que tinha calo de futebol português.Tal como no jogo com o Copenhaga, o Porto não fez um bom jogo, embora desta vez tenha feito mais do que o suficiente para ganhar.

Em 5 jogos, 10 pontos e já 5 pontos perdidos, o que traduz inequivocamente a dificuldade que será a época 2016/17. Os últimos dias do mercado serviram para construir um plantel mais equilibrado mas infelizmente não serviu para desenterrar um matador. McCarthy, Lisandro, Falcao e Jackson, deixaram um legado no clube que deveria ter sido mais respeitado, e por muito que goste de ver um avançado da casa na equipa, não me parece que seja com um miúdo de 20 anos e com um jogador Belga, que duvido que alguém tenha ouvido falar dele antes de vir para o Porto, que poderemos atacar uma época e 3 competições com ambições de ganhar pelo menos 2. A azia de hoje não foi maior porque o Rio Ave do Capucho fez o favor de nos dar duas mãozinhas.


Alex Teles - O MVP da partida. O melhor jogo do defesa brasileiro desde que chegou ao Porto. Uma saúde física impressionante permitiu-lhe fazer inúmeras psicinas não só no seu corredor, como na direita a compensar os seus colegas. Atacou muito e quase sempre bem e demonstrou que também sabe defender.
Óliver - Entrou na 2ª parte e lentamente começou a impôr o seu jogo, benefeciando claramente a equipa com isso. Foi através de alguns dos seus brilhantes passes que o Porto conseguiu as poucas oportunidades de golo.
Casillas -  O espanhol teve pouco trabalho mas isso não impediu de ter uma defesa decisiva aos 72 minutos.


André Silva -  Custa-me estar sempre a bater no menino, ainda por cima porque parte da culpa não é dele mas sim de quem achou que o nosso ponta de lança titular deveria ser um miúdo de 20 anos que está a ser completamente queimado. O André teve 2 excelentes oportunidade de golo e falhou as 2, quando ainda por cima fica a ideia que teria colegas em boa posição para receber o passe mas o que me chateia mais é aquela insistência em armar-se em Ronaldo e ir para cima dos adversários quando está mais que visto que o drible e 1vs1, não são de todo o seu forte. Não marca à 5 jogos, facto que para um ponta-de-lança, não sendo decisivo, começa a ser preocupante.
Ineficácia e falta de poder de fogo -  O primeiro remate à baliza do famoso Cláudio Ramos surge aos 82 minutos, ora bem, já seria um dado estatístico mau para qualquer equipa da primeira liga, o que dizer de um candidato ao titulo. Poucas oportunidades de golo e as que tivemos foram francamente mal finalizadas pelos nossos homens da frente.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

FC Porto 1 vs FC Copenhaga 1 - 14.09.2016 - Liga dos Campeões

Porto fraco, fraquinho.

Depois da eliminatória categoricamente ganha à Roma, esperava-se no mínimo um Porto capaz de ganhar, mesmo que fosse sem grande "nota artística", a uma equipa como o Copenhaga. Provou-se mais uma vez que não há equipas fáceis, não há adversários menores, e que na maior prova europeia de clubes, tudo é possível. Começo a falhar logo no primeiro jogo o meu prognóstico em relação à fase de grupos, o que faz com que o Porto tenha a obrigação de ir ganhar à Dinamarca.

Não se pode dizer que o Porto entrou bem no jogo, embora conseguíssemos marcar relativamente cedo numa jogada em que a pressão alta, permitiu a Otávio recuperar uma bola à entrada área, desferindo um míssil depois de combinação perfeita com André Silva. O pior veio depois, o Porto entrega a bola ao Copenhaga, que ganha confiança e começa de certa forma a tomar conta do jogo. Os dinamarqueses são claramente uma equipa inferior mas se lhes damos a bola, se lhe permitimos que a troquem entre si, a tendência é que se agigantem. O chuveirinho começou a acontecer, os nossos centrais ganhavam bola sim, bola não, Casillas sentia que não era nada com ele e começava-se a temer o pior. O 1-0 ao intervalo era de certa forma um bom resultado. Esperava-se um Porto melhor na 2ª parte, um Porto avassalador, um Porto capaz de proporcionar uma grande noite europeia amassando o Copenhaga, ou melhor, eu esperava isso tudo e mais alguma coisa. Erro meu, o Porto foi manso, mansinho, quase inofensivo, e acaba por sofrer um golo estranho, já que o desvio de Danilo pareceu baralhar por completo toda a defesa, Casillas incluído. Nem o facto de jogar contra 10 durante 30 minutos, fez com que o resultado se alterasse até final do jogo. A equipa tentou quase sempre mais com o coração do que cabeça e infelizmente não conseguiu uma jogada que permitisse ter uma clara ocasião de golo. O 4-4-2 foi novamente testado mas desta vez sem o sucesso do jogo com o Guimarães.

Custa-me ouvir o Nuno falar em falta de eficácia, quando praticamente não tivemos oportunidades de golo. Aceito que a equipa tenha tido uma noite menos boa e tenha feito um jogo fraco, não aceito que o nosso treinador resuma este empate à falta de eficácia. O Porto não começa da melhor forma uma fase de grupos onde é a par do Leicester, o claro favorito. Segue-se a viagem a Leicester que foi hoje ganhar ao Club Brugge por 0-3, teoricamente a viagem mais complicada da equipa e parece-me que um empate será um bom resultado, uma vitória será brilhante.


Layún - O MVP da partida. Numa equipa muito nivelada por baixo, foi difícil destacar alguém pela positiva. Mais uma vez o defesa mexicano foi incansável  a defender e a atacar e seguramente um dos que mais empurrou  a equipa para a frente.
Otávio - Um grande golo, uma grande intensidade depositada em jogo, um bom par de fintas e pouco mais. 

  
Herrera -  O médio mexicano fez um 8 no jogo de hoje. Herrera é mesmo assim, capaz de ir do 8 ao 80 no espaço de uma semana. Pareceu sempre um jogador cansado, incapaz de rasgar a defesa dinamarquesa, incapaz de galar terreno e comer metros com bola ou sem. Foi menos 1 em campo e esteve demasiado tempo dentro das 4 linhas.
André Silva - Sempre achei que era demasiado cedo para lançar o André às feras desta forma tão vincada e infelizmente o tempo e os jogos confirmam esta ideia. Na ânsia de querer fazer tudo acaba por ter jogos assim, onde faz pouco. 
Casillas - Fiquei com a ideia, e parece que não fui o único, que o espanhol podia fazer mais qualquer coisa no lance do golo sofrido. É o jogador mais velho da equipa, mas fica sempre a ideia pela forma como entra em campo, que é o mais novo e o mais inexperiente.
Excesso de cruzamentos - Cedo se percebeu que as centenas de cruzamentos que o Porto fez iriam bater no muro dinamarquês, e a equipa e treinador não foram capazes de contornar esse factor com um tipo de ataque mais inteligente e esclarecido.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Roma 0 vs FC Porto 3 - 23.08.2016 - Liga dos Campeões



O silêncio Olímpico.

Extraordinário. Hoje tivemos um Porto personalizado como há muito não se via, um Porto corajoso, ambicioso, pragmático, um Porto à Porto, caralho! As grandes noites europeias voltaram em força e verdade seja dita, há muito tempo que os Portistas mereciam um mimo destes. Foi uma vitória surpreendente nos números, muito por culpa de uma Roma, que tal como no Dragão, usou e abusou de entradas assassinas, e o termo terá de ser mesmo este, porque quando vemos um jogador como o Maxi sair lesionado depois de uma falta violenta, significa que a coisa foi mesmo feia. Estamos na Champions, no nosso habitat natural, na competição onde estamos habituados a jogar e isso é um facto saboroso "pra caralho".

Depois da primeira meia hora no Dragão, onde fomos um adversário dócil, meigo e inofensivo, seria difícil entrar no Olímpico de forma pior. Um golo marcado cedo, seja em que circunstância for, é sempre importante, ainda mais quando aterramos em Itália com a obrigatoriedade de marcar pelo menos uma vez. A justiça divina ordenou que o réu da primeira mão, seria um dos grandes salvadores da segunda mão, porque Filipe arrombou o castelo italiano com a primeira bola de fogo e foi o grande defensor da muralha azul e branca. A Roma disparou muito mas felizmente para nós, dois dos tiros fizeram ricochete e acertaram em cheio no coração da equipa italiana, Rossi primeiro e Emerson depois fizeram-nos um enorme favor e encaminharam a equipa para o fosso da Liga Europa. São 3 expulsões italianas na eliminatória, a que se soma mais 6 amarelos, dados reveladores da excessiva dureza que a equipa (des)comandada por Spalletti impôs nos 2 jogos. O Porto aproveitou bem a superioridade numérica, embora se tivesse posto muito a jeito durante os 25 minutos que demorou a matar o jogo depois da Roma passar a jogar com 9. Layún e Corona, foram os autores das 2 machadas fatais nos giallorossi.


Felipe - O MVP da partida. Felipe Augusto de Almeida Monteiro, nome bem português de Portugal, que bem que podia usar só "Monteiro" na camisola, tipo defesa central à moda antiga, ou então "Felipão", tão comum nos camaradas brasileiros. Sem dúvida alguma, o melhor jogo de um moço que veio do Corinthians mas curiosamente nasceu num bairro de São Paulo chamado Tirandentes. Medo. O Felipe e não Filipe, foi um alien, marcou o primeiro golo e limpou tudo o que lhe apareceu à frente, pelo ar, pelo chão e pelo mar e quando acabou o jogo ainda me veio ajudar a limpar a cozinha. Parece-me um autêntico jogador patrão, muito na onda de Jorge Costa e Bruno Alves e sabe Deus a falta que isso tem feito ao Porto.
Layún - O Miguel não sabe jogar mal, seja a titular, seja a jogar 80 ou 8 minutos, é sempre máximo empenho, máxima concentração, máximo comprometimento com a equipa. Um jogador à Porto que deixa tudo em campo, sempre e em qualquer situação. Marcou o golo que matou o jogo, num excelente contra-ataque conduzido e concluído por si.
Casillas - Obrigado Iker por não fazeres nada que te envergonhe. Não teve muito trabalho mas esteve tranquilo e respondeu bem sempre que foi preciso. Teve duas grandes defesas, logo no inicio num remate de Naingollan e principalmente na defesa com os pés a remate de Salah.
Corona -  4 jogos, 2 golos. Foi sempre um jogador que tentou mexer com o jogo fruto da sua enorme capacidade técnica. Marcou o último golo, num disparo de pé esquerdo, depois de rebentar com os rins a Manolas.
Nuno Espírito Santo - O Mister não inventou e fez entrar a melhor equipa com o melhor esquema tático, o nosso 4-3-3 da praxe que nunca envergonha.
Szymon Marciniak - O juiz polaco fez uma arbitragem muito corajosa e revelou ter uns tomates do tamanho de Itália porque embora as expulsões tenham sido mais do que justas, eliminar 2 romanos em pleno estádio olímpico é de muito valor. Vénias.
Adeptos Portistas - 90 minutos a empurrar a equipa. Estádio Olímpico silenciado. Lindo.



A vantagem numérica - O Porto demorou muito a perceber que estava a jogar com mais 2 jogadores e qual a melhor maneira de tirar partido disso. Foi assustadoramente paciente, deixou a Roma crescer bem mais do que devia e passou demasiado tempo a jogar no seu meio campo defensivo. Felizmente matou o jogo em 2 momentos exemplarmente bem conseguidos.
Sérgio Oliveira - O Sérgio é portista de corpo e alma, nota-se que se quer mostrar e evidenciar, ainda por cima com as noticias da possível vinda de Óliver, mas temo que isso não seja suficiente para singrar no Porto. Tal como Varela, não consegue aproveitar as oportunidades que lhe dão. Hoje entra para o lugar de Otávio que tinha amarelo e vê ele próprio o amarelo 1 minuto depois. Não me lembro de ter tomado uma única boa decisão nos 33 minutos que esteve me campo.
Roma - 3 expulsões em 2 jogos, totalmente justas. Spalletti afirmou que se andaram a preparar durante 8 meses para esta eliminatória. A mensagem pelos vistos não passou.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

FC Porto 1 vs Roma 1 - 17.08.2016 - Liga dos Campeões

Entrar a medo, sair de fininho.

Fiquei com várias ideias deste jogo e sinceramente espero não me esquecer de nenhuma, porque ao contrário de jogos anteriores em que tirei notas, hoje dediquei-me quase por completo ao visionamento televisivo da partida. Começando pelo onze inicial com a surpresa Adrián "11 milhões" Lopez, o que realmente me preocupou foi olhar para o banco e ver meia dúzia de cadeiras cheias de praticamente nada. Tremi de susto. Outra situação preocupante foi consultar a equipa que a 15 de Abril de 2015, ou seja, a menos de ano e meio, espetou 3-1 ao colosso Bayern de Munique e perceber que somente um jogador foi titular nos 2 jogos, Herrera. Um único jogador em onze. Preocupante.

Casillas. Vou-me já adiantar ao que de negativo se passou e voltar a falar do redes espanhol, e digo unicamente "redes", porque usar a expressão "guarda-redes" com o Iker é de muito mau gosto e não acho que me fique bem. Zlatan, a propósito da compra de Pogba por valores que, segundo muitos opinion makers, seriam pornográficos, afirmou categoricamente que só a venda das suas (do Zlatan, claro) camisolas, pagaria o valor total do Pogba. A verdade é que só na primeira semana, e segundo se consta, as camisolas do sueco renderam 90 milhões de euros. A minha pergunta é.. quantas mais camisolas de Casillas serão precisas vender para se fazer uma vaquinha (ou vacona) para se comprar um verdadeiro guarda-redes? Já o afirmei por inúmeras vezes, nunca fui fã do Casillas no Real Madrid, não fiquei com o "pito aos saltos" quando o compramos e infelizmente o moço nada fez para que eu mudasse de opinião. Aquela atitude de pânico em cada lance que mete bola é constrangedor para mim e acredito que para ele também.

Sobre Nuno, o Espírito Santo, acredito que a ideia fosse genial, mas aquele 4-4-2 com que o Porto entrou em campo, foi completamente atropelado pela equipa romana. Deu a ideia que Nuno quis surpreender Spalletti, mas o italiano com um jogo de cintura melhor e mais apurado, acabou por ser ele próprio a surpreender Nuno. Nuno Herlander tem 143 jogos disputados como treinador principal, Luciano Spalletti tem 547, pode explicar alguma coisa, ou então não explica absolutamente nada, são só dados estatísticos. O Nuno fez-me lembrar o Jesualdo no tempo em que foi o nosso treinador, porque nos jogos grandes teimava sempre em "inventar" qualquer merdinha que na sua generalidade resultava sempre em merdona.

Foi uma primeira meia hora sofrível, não há outra forma de o dizer. Sempre apoiei Lopetegui, nunca o escondi, e hoje tive saudades dele, muito por culpa da forma como punha o Porto a sair a jogar a partir do guarda-redes. Havia uma exagerada, ou não, troca de bola, mas percebia-se que a equipa sabia o que fazer. Hoje foi ver Felipe e Marcano meter a bola sem grande critério na frente de cada vez que a mesma aparecia naquela zona. Medonho. Sair a jogar com troca de bolas rápidas? Impossível, a Roma não deixava. Um inicio de jogo sufocante, que só quando o relógio bateu nas 20.15h, mudou de figura. Nessa altura a equipa acordou e começou a mostrar as garras com a sociedade Otávio-André a fazer novamente estragos e a meter o Vermaelen na rua. Estava dado o mote para o que seria a segunda parte, com superioridade numérica, houve muita luta, muita vontade, muita raça, mas pouco ou nenhum esclarecimento. O empate surgiu relativamente cedo e Nuno quis meter um desinquietador no jogo para partir a Roma ao meio mas a verdade é que a entrada de Corona, só conseguiu matar o Porto.

"Em Roma, sê romano", o Porto terá de fazer um jogo muito inteligente em Itália. A Roma tem a vantagem do golo marcado fora, o que obriga o Porto a marcar pelo menos uma vez. A última vez que fomos a Itália, empatamos a 2 golos com o Nápoles e passamos a eliminatória depois da vitória por um golo no Dragão.


Otávio - O MVP da partida. Otávio fez uma época 2015-2016 excepcional em Guimarães por empréstimo do Porto, a dúvida seria como se iria impôr no Porto esta época. Dúvidas desfeitas, o brasileiro é um tratado e acredito que Nuno o vai pôr a jogar no meio mais cedo ou mais tarde. Fazia tão bem ao Quintero ir ao Youtube e procurar "Otávio - Goals and Skills". O pequeno Deco joga, faz jogar, corre, passa. Enorme.
André Silva - 2 jogos oficiais, 2 golos. O André tem aquele espírito guerreiro de lutar por cada bola, cada lance, cada naco de relva mas temo que esta faceta de Lisandro Lopez, lhe tire algum discernimento na hora de finalizar. Fez um jogo muito esforçado, mereceu o golo e ao contrário de Vila do Conde, cobrou de forma exemplar o penálti. 
Dupla de centrais (+/-) - O entendimento existe, está algo escondido mas existe. Nota-se que há ali trabalho, muito ao género do que foi a primeira época de Lopetegui com Maicon e Marcano. Marcano parece estar ao nível do que foi a sua primeira época, o que é bom e Felipe quando corrigir o seu tempo de entrada aos lances, será um central melhor. Por outro lado é o 2º auto-golo do central brasileiro, não sendo (ainda" um facto preocupante, parece-me algo que mereça alguma atenção.
Alex Teles - Um defesa muito ao estilo de Alex Sandro, tecnicamente evoluído, sem problemas em procurar o 1 vs 1, capaz de ir à linha cruzar e não compromete ao defender. Uma solução compelatemte diferente de Láyun, por isso uma boa solução e um bom jogo.
Adrián Lopez - Não sei se anda a ter consultas com a famosa Susana Torres, mas seja lá o que for, tem resultado. Está mais solto, mais interventivo e afinal ainda há esperança de ter um cheirinho do que foi o Adrián do Atlético.


Casillas - Ler em cima. 
Entrada em falso - Primeira meia hora a levar pancada, muito por culpa de um esquema táctico que deu a ideia de não ter sido treinado. A Roma bateu, amassou mas felizmente só conseguiu marcar um golo neste período de maior fulgor italiano.
Bolas paradas defensivas - 2 jogos, 2 golos sofridos. Acorda Porto.

terça-feira, 8 de março de 2016

Braga 3 vs FC Porto 1 - 06.03.2016 - Liga Portuguesa

Quando a Pedreira nos cai em cima.

O jogo de ontem foi o 60º entre as duas equipas em partidas disputadas entre o 1º de Maio e a Pedreira e o Porto depois da derrota de ontem, soma a 13ª derrota, a que junta 13 empates e 34 vitórias. A viagem a Braga é tradicionalmente complicada embora tivéssemos conseguido 5 vitórias nas 5 últimas deslocações, tendo averbado a penúltima derrota em 2009, num jogo em que perdemos por 1-0, curiosamente com um golo de Alan e numa época em que ficamos em 3º lugar, a 3 pontos do 2º classificado Braga. Para se ter um pouco mais de noção da dimensão da vitória do Braga, será oportuno dizer que o Porto já não perdia em Braga por mais que um golo, desde o dia 10 de Setembro de 1978, ou seja, à quase 38 anos.


Peseiro desta vez optou pela versão Champions do Porto, retirou um extremo e colocou André naquela missão híbrida entre miolo e colado à linha. Honestamente, e embora Corona no seu actual momento e Marega não sejam as melhores opções do mundo, André a fazer de falso extremo não é uma solução que me agrade, principalmente quando o adversário é inferior, e quer se queira quer não, este Braga é inferior ao maior do mundo. Onze inicial à parte, o Porto tem uma grande entrada no jogo, encostando o Braga à sua baliza, e fazendo 25/30 minutos de grande nível, altura em Xistra "entra em campo" e equilibra um jogo até aqui desequilibrado. O jogo fica partido, muito mais emocionante, com ataques rápidos de ambas as equipas. A 2ª parte foi mais equilibrada, com algum ascendente do Braga em muitos momentos por isso não foi surpresa ver Hassan a marcar o primeiro golo, mas foi inesperada a forma como o fez, já que aquele falhanço do Marcano não lembra ao diabo. O Porto demorou a reagir mas conseguiu fazê-lo, muito por culpa de Brahimi que quis sempre pegar no jogo e na bola, cruzando para Herrera que podia e deveria ter feito melhor, num lance em que felizmente Maxi nunca perdeu a noção do tempo e do espaço. Empate alcançado mas que durou apenas 3 minutos, o Porto não consegue matar o jogo a meio campo e uma cavalgada do Djavan permite a Rafa encostar para o 2º golo. O Porto nesta altura perde completamente o controlo do jogo e de si mesmo, Indi é expulso numa falta escusada, Casillas sai da baliza de forma completamente extemporânea, Alan marca com classe e põe um ponto final num jogo que a partir da primeira meia hora, deu a ideia de nos estar a fugir.

Num jogo em que o Porto tinha de trabalhar e correr muito para contrariar o 4-4-2 muito bem oleado de Paulo "Karma" Fonseca, não fomos capazes de o fazer e caímos com estrondo na Pedreira. Escacar pedra deveria ter sido o lema para bater a abater este Braga moldado à imagem de um treinador que assumiu recentemente ter passado a pior fase da carreira no Dragão. Xistra ajudou, Marcano ajudou, Casillas ajudou, muitos factores contribuíram para uma exibição que acabou bem pior do que começou. O Adeus ao campeonato pode não ter começado em Braga mas fica claro que depois da 11ª derrota da época, pouco mais há a fazer do que esperar sentado por um milagre que muito provavelmente nunca irá chegar.

O dérbi da 2ª circular não sendo decisivo, decidiu muita coisa. Decidiu por exemplo que o Sporting (ainda) não tem o chamado estofo de campeão, decidiu dar razão a Jesus quando diz que "isto não é como começa mas sim como acaba", sendo o Benfica o maior exemplo disso, decidiu também que podes ter os melhores jogadores do mundo mas quando te falta o jogador sorte, ou o mijo, ou o caga, esquece lá os esquemas tácticos e os melhores treinadores do mundo. Jesus tem uma flash-interview do mais ridículo que vi nos últimos meses, ridicularizando um adversário que lhe tinha acabado de ganhar em sua própria casa. Honestamente, o mais difícil para o Benfica está feito, porque alcançado o 1º lugar, a puta da onda vermelha levará à frente qualquer tipo de dúvidas de quem será o campeão.


Maxi - O MVP da partida. O talento é muito mas a raça é inexcedível. Maxi foi um dos que mais empurrou a equipa para a frente, ao ponto de ter aparecido mais que uma vez em zonas de finalização para marcar o único golo da equipa.
Herrera - Grande jogo do box-to-box mexicano. Grande inicio de jogo, embora se fosse afundando juntamente com a equipa, ainda assim foi das poucas coisas positivas que aconteceram ontem em Braga.
Danilo - Danilo a jogar assim, não aguentará muito mais tempo, Dá tudo o que tem em cada jogo, e tem sido o jogador mais regular da equipa esta época.
Brahimi - O mágico argelino deu-se sempre ao jogo e nunca deixou de procurar a bola. Fica sempre a ideia que embeleza demasiado as jogadas mas apesar disso, foi o único a conseguir desequilibrar individualmente. Faz o cruzamento para o golo numa nada habitual trivela.
Inicio de jogo - Um grande inicio de jogo que não dava a entender o final de jogo sofrível pelo que passamos. Não marcamos no nosso melhor período e depois pusemos a jeito para a hecatombe que foi a 2º parte.


Marcano - Um central que fez uma grande época de estreia mas que vem cometendo erros grosseiros a uma velocidade desesperante nesta 2ª época. Ontem em Braga meteu mais uma vez nojo, num lance em que não era difícil ter feito melhor. Mais uma mancha numa época manchada.
Casillas - Só ele sabe o que lhe terá passado por aquele cérebro pequenino, no lance do 3º golo. Tal como Marcano, foi mais uma mancha numa época manchada com muitos erros e poucas virtudes.
Peseiro - O nosso Mister não terá tido o melhor jogo a mexer na equipa. Aboubakar por Suk, num jogo em que o coreano estava a ser dos melhores foi uma decisão muito questionável. Deixar jogar André tanto tempo claramente condicionado pelo amarelo precoce, também não me pareceu muito acertado. Peseiro foi reactivo quando se esperaria que fosse activo.
Xistra - O Xistrema voltou. Não tendo erros grosseiros durante todo o jogo, conseguiu arbitrar sempre de forma manhosa, habilidosa e extremamente condicionadora para o Porto. Uma diferença de critério gritante na mostragem de amarelos foi o inicio de uma arbitragem que seguiu sempre o mesmo caminho. Quando vemos Jesus a usar a abusar da respectiva área do seu banco, expulsar Peseiro daquela forma foi só mais uma acha para a fogueira.




inexcedível

"inexcedível", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/inexced%C3%ADvel [consultado em 07-03-2016].
inexcedível

"inexcedível", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/inexced%C3%ADvel [consultado em 07-03-2016].

sexta-feira, 4 de março de 2016

Belenenses 1 vs FC Porto 2 - 28.02.2016 - Liga Portuguesa

A importância de marcar cedo e primeiro.

Foi o 75º jogo entre Belenenses e Portistas e a 30ª vitória do maior do mundo nas visitas ao Restelo, restando 19 empates e 26 empates para a equipa comandada pelo espanhol Julio Vélazquez. Foi uma vitória importante, ainda por cima por termos empatado a um golo nas 2 últimas partidas em Belém. Um Porto mais concentrado do que nos últimos jogos, marcou primeiro mas não conseguiu matar um jogo que parecia seguir o caminho da goleada depois chegarmos ao 2º golo, numa infelicidade de Tonel, logo aos 20 minutos.

Peseiro mais uma vez não inventou a roda e colocou o nosso actual melhor onze em campo, com a excepção de Indi, lesionado, e Layún, castigado. O maior do mundo, ao contrário dos últimos 4 jogos para a Liga Portuguesa, não se deixou surpreender e marcou primeiro, numa jogada em que a raça de Suk permitiu a Brahimi aparecer isolado e facturar. O 2º golo do Porto surge pouco tempo depois numa cabeçada fulminante de Tonel, muito possivelmente porque os holofotes do Restelo são da mesma marca do que os de Alvalade. Os 2 golos marcados cedo fizeram com que o Porto recuasse e desse a iniciativa de jogo ao Belenenses, que perdeu a vergonha e avançou no terreno, causando moça na defesa portista muito à boleia de Carlos Martins. A 2ª parte é toda do Belenenses, o Porto considerou o jogo como ganho e ficou no balneário. O golo da equipa da casa acaba por acontecer naturalmente e o Porto perde completamente o controlo do jogo, sujeitando-se a meia dúzia de remates perigosos, sempre com Casillas a responder afirmativamente.

O Porto acaba por ganhar um jogo que poderia facilmente ter empatado. O facto de termos conseguido uma vantagem de 2 golos muito cedo no jogo acabou por não ter sido muito saudável e percebeu-se que a equipa fruto também dos últimos sustos, não lidou muito bem com isso. Apesar de tudo foram mais 3 pontos conseguidos longe do Dragão, fundamentais para a caminhada para o titulo.


Brahimi - O MVP da partida. Como facilmente se percebeu, foi o melhor jogo de Brahimi nas últimas semanas. A passagem pelo banco pode ter arrebitado o argelino que surgiu mais solto, menos agarrado à bola, e a aparecer por mais que uma vez em zonas de finalização. Marcou um golo e esteve perto de bisar.
Herrera - Encheu o campo. Jogou nas costas de Suk e foi sempre o primeiro a pressionar a bola nas saídas para o ataque do Belenenses. Correu que se fartou e esteve perto do golo por uma vez.
Casillas - Não fez nenhuma defesa do outro mundo mas esteve bem na fase de maior aperto. O Belenenses carregou e rematou muito mas o espanhol esteve sempre seguro.
Marcar cedo - Marcar cedo e cedo marcar, dá saúde e faz crescer. 0-2 aos 20 minutos, foi bom mas não podia ter sido mau.


Corona - O extremo mexicano não está bem, é evidente. Uma das suas grandes armas que é partir para cima do adversário e comê-lo em drible não tem corrido nada bem. Parece-me um dos jogadores que mais acusou a mudança de treinadores.
Marega - O moço tem vontade, é inegável, mas a bola nas pernas do Marega é tão mal tratadinha que até dói ver. Ou é uma perna que atrapalha, ou é a relva, ou é o sol, ou é a chuva, enfim, aparece sempre alguma coisa no caminho do maliano.
André - Nas lonas, é como ele está.



domingo, 14 de fevereiro de 2016

Benfica 1 vs FC Porto 2 - 12.02.2016 - Liga Portuguesa

La remontada Casillana.

O futebol desperta muitos ódios mas consegue despertar ainda mais paixões, muito por culpa de jogos como este, onde o actual David consegue vencer o actual Golias. As equipas chegavam ao 164º maior clássico da Liga Portuguesa num estado de espírito e actuais momentos de forma completamente inversos. Benfica, o Golias (pelo menos pelo que se ia lendo na imprensa desportiva escrita), após ter perdido em Alvalade sem apelo nem agravo, vinha de 14 jogos, com 1 empate e 13 vitórias, muitas delas com números expressivos, o chamado rolo compressor. Ao invés, o nosso amado Porto, o maior do mundo, que tal como disse na anterior posta, tinha apenas ganho 8 dos últimos 16 jogos disputados. Se juntarmos a esta ementa, uma jornada anterior onde o Benfica foi a Belém golear a equipa da casa com 5 batatas e o Porto ser derrotado vergonhosamente em casa pelo Arouca, chegaríamos facilmente à conclusão que o maior do mundo iria ser copiosamente vergado aos pés do clube da Luz. Felizmente, não foi o que aconteceu, não porque tivéssemos disso tremendamente superiores mas porque, ao contrário de muitas e muitas situações, fomos eficazes e tivemos aquela pontinha de sorte que nos teimava em fugir semana após semana. Para finalizar a estatística, dizer que foi o 82º jogo entre as 2 equipas para a Liga, o Porto somou a 15ª vitória, sobrando 25 empates e 42 vitórias para o Benfica.

Peseiro teve coragem e um mérito que salta logo à vista, não se cortou, não inventou e foi à Luz com o onze base, optando por Chidozie no lugar de Marcano, fugindo assim à tentação de fazer recuar Danilo e com isto mexer em 2 posições. O Benfica por estratégia ou simplesmente porque não conseguiu, não teve aquela entrada pressionante e avassaladora que se esperava, o rolo compressor das últimas semanas emperrou numa massa azul e branca compacta e bem posicionada. Ainda assim foi o Benfica o primeiro a criar perigo em contra-ataque e em dose dupla por Pizzi, Casillas defende bem no primeiro remate e na 2ª tentativa, o extremo vermelho remata para fora. O golo da equipa da casa não tardou, Renato Sanches atrai todas as atenções e no momento certo solta para Mitroglou rematar colocado e sem qualquer hipótese para Casillas. O Benfica acaba por chegar ao golo numa altura que o Porto ainda nem sequer tinha rematado à baliza. O Porto, e nomeadamente Herrera lembra-se que o futebol tem balizas, recebe um passe de Layún e num remate cagadinho mas pornográficamente bem colocado, estabelece a igualdade para o nosso Porto. Foi o 6º golo para Herrera e a 16ª assistência para Layún. Um pequeno aparte, gosto da forma como a equipa tem festejado os golos, apesar de toda a tempestade que tem sido esta época. Revela raça, revela união, revela querer. O Benfica responde numa jogada um pouco aos trambolhões, Jonas remata com o esquerdo mas Casillas defende mais uma vez em voo com a direita. Mitroglou pouco tempo depois está perto de bisar mas Chidozie embora tenha perdido inicialmente a posição, consegue recuperar e atrapalhar o grego. O Porto rematava pouco e quando o fazia era na baliza errada, Corona na ânsia de cortar a bola quase faz um auto-golo, mas Herrera na baliza certa quase factura num remate semelhante ao do 1º golo. Samaris quase me cima do intervalo remata por cima numa das melhores jogada do Benfica. O empate ao intervalo premiava fundamentalmente a eficácia do Porto e a noite positiva de Casillas. O Benfica entra bem na 2ª parte e é o primeiro a criar perigo num contra-ataque rapidíssimo que acaba com um remate fraco mas colocado de Gaitan e uma enorme defesa de Casillas e o Porto responde por Brahimi que remata à figura depois de uma tabelinha com Herrera. Um dos momentos da partida foi aos 59 minutos, altura em que finalmente começamos a jogar com 11 depois da entrada de Marega para o lugar do apagadíssimo Corona. Coolbakar está perto do golo num remate fortíssimo de pé esquerdo de fora da área mas o míssil sai ao lado e minutos depois percebemos que o camaronês estava era a calibrar a mira porque numa jogada que começa com um corte limpo de Chidozie no meio campo, e depois de uma grande troca de bola à entrada da área vermelha, a bola acaba por chegar ao Coolbakar, que desta vez não vacila na cara de Júlio César, e faz o golo para o maior do mundo. Indi na jogada seguinte tenta novamente fazer o golo na baliza errada mas Casillas responde com mais uma grande defesa. Percebia-se que Casillas finalmente estava numa noite sim e Mitroglou também percebeu isso depois de ver mais um remate seu ser defendido pelo espanhol. A partir dos 70 minutos o Benfica desapareceu dando a entender que o 2º golo do Porto tinha sido um valente soco nas aspirações do rolo compressor, o Porto controlou todo o jogo e foi Marega nos descontos a estar perto do 3º golo mas remata de forma algo displicente quando até poderia ter passado para o Coolbakar. O resultado não se alterou, a vitória foi nossa num jogo nem sempre dominado, mas com elevado nível de eficácia e com um Casillas a fazer de longe o seu melhor jogo desde que chegou à Invicta.

Não gosto de entrar em euforias desmedidas nem em depressões agoniantes, por isso nem sempre as coisas parecem estar tão más como no jogo com o Arouca, nem tão boas como esta vitória na Luz. Depois do jogo com o Estoril, acreditei que a equipa seguiria um caminho seguro e vitorioso mas como cedo se percebeu, isso não aconteceu. O futuro próximo, nomeadamente a eliminatória dificílima com o Dortmund dirá se o jogo da Luz foi a regra ou mais uma excepção.


Casillas - O MVP da partida. San Iker, finalmente! Não sou fã do espanhol, nunca fui e nunca serei mas tento não ter ódios de estimação, tento. A verdade é que Casillas fez de muito longe, o melhor jogo desde que  assinou pelo Porto. Uma mão cheia de defesas, algumas melhores e mais vistosas do que outras, fizeram-nos perceber que o nosso guarda-redes estava numa grande noite e que muito dificilmente a bola entraria na nossa baliza. Helton fez questão de destacar a exibição do colega com a seguinte foto e respectiva legenda "Parabéns meu companheiro por mais uma exibição que nos ajudou a fazer isto que se vê na foto! Sorrir e acreditar até ao fim de que somos capazes de lutar muito pelo objectivo maior... Grande! Muito grande!".


Herrera -  Depois de 90 minutos miseráveis com o Arouca, o mexicano responde com uma enorme exibição e não fosse a soberba prestação de Casillas, Herrera teria sido o melhor em campo. Encheu o campo, foi o principal elo de ligação entre a defesa e o ataque, foi um box-to-box como há muito não víamos e marca o golo do empate e da esperança. O Hector é mesmo isto, o Yin e o Yang, o sol e a chuva, o 8 e o 80, e felizmente para nós na Luz foi o 80.
Aboubakar - Marcou o 11º golo na Liga e o 16º na época. Devagar, devagarinho, o camaronês vai atingindo números mais condizentes com a posição que ocupa em campo. Na Luz teve 2 remates, um deles passa a rasar o poste e outro outro beija a rede. Eficaz como todos nós desejamos que seja sempre.
Danilo - Os óculos azuis que uso diariamente podem-me sempre induzir em erro mas a determinada altura fiquei com a ideia que Danilo sozinho engoliu "o menino de ouro" vermelho e o caceteiro grego Samaris. Mais um grande jogo de um dos jogadores mais regulares da época portista.
Eficácia - Apenas 9 remates à baliza, seguramente um dos jogos onde menos tentamos o golo mas desses 9, 5 foram à baliza e 2 deram golo. Um elevado grau de eficácia permitiu ao Porto ganhar um jogo onde foi mais dominado do que dominador.


Corona - El Tecatito foi uma autêntica nulidade e nem o facto de ter o cansado Eliseu à sua frente fez com que se tivesse evidenciado. Não me lembro de ter ganho um único lance ao defesa português, nem de uma fintazinha que fosse. Corona tem de perceber que não é possível fintar sempre 1 ou 2 jogadores antes de soltar a bola com qualidade. Marega deu mais trabalho à defesa vermelha em 30 minutos que o Jesus nos 60 em que esteve em campo.










quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Guimarães 1 vs FC Porto - 0 - 17.01.2016 - Liga Portuguesa

Pior que ter Lopetegui no banco, é não ter ninguém.

Mais uma viagem à cidade Berço e mais um resultado negativo, tem sido assim desde Fevereiro de 2013, altura em que goleamos o Guimarães de Rui Vitória com 4 batatas, 3 delas marcadas pelo nosso saudoso Jackson Martinez. Desde esse jogo para cá, somamos 2 empates e 1 derrota, o que demonstra bem a dificuldade que tem sido ultrapassar o muro vimaranense nos últimos anos. No histórico de confrontos em 71 jogos para a Liga Portuguesa, somamos 33 Vitórias, 22 Empates e 16 Derrotas, o que trocado em miudinhos, dá uma taxa de sucesso de 46%, ou seja, ganhamos perto de metade dos jogos que fazemos em Guimarães. Fraco para quem tem sempre de ganhar.

Rui Barros apresentou um onze sem surpresas mas equipado com aquele traje cor de merda, o que discretamente indiciava que o jogo muito provavelmente iria dar merda, e deu. Sérgio Conceição, alheio ao folclore semanal, montou uma equipa de combate que raramente se deixou surpreender pela velocidade, ou falta dela, da equipa do Porto. Há jogos que não começam com o apito inicial, falo daqueles em que as 2 equipas andam naquele ram ram, a ver se chove ou faz sol e a estudar-se mutuamente (como se diz na gíria futebolística), mas não foi o caso deste Guimarães - Porto. Desta vez o jogo começou no inicio e aos 15 segundos o jogador neozelandês com nome de actor de cinema esteve pertíssimo do golo. O Porto e o Casillas não perceberam a dica e o Vitória chegou ao 1º e único golo da partida num lance à Casillas, que Bouba Saré não perdoa. Apesar do erro colossal do Iker, o Porto não abanou e tomou conta do jogo e esteve perto do golo por 2 ocasiões, primeiro por Corona e depois por André mas "ambas as duas" foram travadas pelo puto Miguel Silva. O jogo caminhou para o intervalo e só Danilo criou perigo de cabeça depois de um canto de Layún. A segunda parte começa mais tranquila e foi o Porto quem esteve muito perto de marcar num lance em que Failbakar faz de 3º central vimaranense e não consegue concluir da melhor forma um cruzamento de Layún. 10 minutos depois uma grande jogada entre Varela e Maxi proporciona uma boa ocasião de golo a Brahimi mas infelizmente remata ao lado. Varela foi o último a criar perigo num remate de fora da área que também sai ao lado.

Sem alma, sem chama, sem treinador e o futuro dirá se foi, sem campeonato. 4-13 em remates, 1-10 em cantos e 29-71% na posse de bola, números que se dependesse da estatísticas, teria feito com que goleássemos. A verdade é que não só goleamos como perdemos um jogo de forma justa, numa partida em que 90 minutos não chegaram para contrair a fífia de Casillas aos 4 minutos. Foi também um jogo para perceber que a inoperância de Rui Barros, embora seja o menos culpado no meio disto tudo, faz com que não possa continuar à frente do banco do maior do mundo.


Maxi - O MVP da partida. Não foi por ele que perdemos este jogo. Não tendo grande trabalho a defender, foi incansável a atacar e nas combinações com Corona e depois com Varela. Um poço de raça e força.
Brahimi -  Na ala ou no meio fez o seu jogo habitual, muita bola no pé, muito um para um e algumas tentativas sem êxito de remate. Embora voltasse a complicar em alguns lances, fez o que pôde e a mais não foi obrigado.
Sérgio Conceição - Depois do que se falou e escreveu durante a semana (eu próprio o fiz quando soube da possibilidade de ele vir para o Porto), o treinador vimaranense fez uma flash-interview sincera e cheia de emoção.


Casillas - Mais um erro colossal e fatal, como tantos outros na sua longa carreira. Sempre o disse e vou continuar a dizer, o espanhol nunca foi aquilo que se pintava dele e não é por ter vindo para o maior do mundo que vou mudar de opinião. Diga-se o que se disser, o Casillas não está feliz no Porto, prova disso é a sua constante expressão de tristeza durante os jogos. Neste jogo, para além do lance capital, somou intervenções nervosas no pouco que teve de fazer.
Aboubakar - Mais um jogo em que fez pouco e o que fez, fez mal. Com Suk a chegar cheio de vontade, o camaronês tem a vida muito complicada no futuro.
Rui Barros, Falta de Vontade e Raça - O Baixinho é quem tem menos culpa no meio disto tudo e só por isso lhe perdoo o facto de desde muito cedo no jogo, toda o portista ter percebido que equipa e treinadores não seriam capazes de dar a volta a mais um jogo em que começamos a perder. A Direcção da SAD Portista cedeu à pressão de adeptos e imprensa, ao despedir Lopetegui sem sem ter uma alternativa já idealizada e pensada porque pior que ter Lopetegui no banco, é não ter ninguém.




quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Chelsea 2 vs FC Porto 0 - 09.12.2015 - Liga dos Campeões

(Des)Liga da Champions.

No pós-afastamento da Liga dos Campeões, há muita coisa para falar, ouvir, ler e escrever. Desde a "invenção" de Lopetegui, ao inacreditável histórico de jogos em Inglaterra, passando pela recepção à equipa e treinador no aeroporto que me enchem de orgulho, raspando pelo desejo de boa parte da nação portista em ter Nuno Espírito Santo como novo treinador e acabando numa análise pragmática ao jogo de ontem, que não tendo sido um mimo, também não foi uma catástrofe como se poderia concluir através do que se vai lendo um pouco por toda a comunidade azul e branca. O Porto não ficou afastado da Champions com a derrota em Stamford Bridge, o Porto suicidou-se com o jogo medonho que fez em casa contra o Dinamo.

Comecemos pelo tão badalado 5-3-2 que tanta tinta e língua fez e faz correr, porque sinceramente não percebo onde é que o facto de retirar o ponta-de-lança da equipa, torna o treinador num assassino que foi capaz de cometer um crime hediondo. Sou fã do Sadbakar, nunca o escondi, mas a verdade é que o camaronês atravessa a pior fase desde que chegou ao Dragão, está numa crise de golos mas fundamental e principalmente, numa enorme crise de confiança. Não marca há mais de um mês, e no anterior jogo falhou o possível e impossível. Retirá-lo do onze titular para Londres, mesmo precisando de ganhar, não me parece algo nunca visto no mundo do futebol. Quantas vezes a Espanha jogou sem avançado ou com Fábregas a fazer esse papel? A Juventus há quantos anos joga em 5-3-2? São 2 equipas menos ofensivas por isso? Lopetegui foi criticado no jogo com o Dinamo porque desfez o habitual 4-3-3, versão Champions com André a fazer de falso extremo, mas ontem não tinha André, o único médio capaz de desempenhar bem essa função. Ora bem, não tendo os jogadores para o modelo pretendido, criou um modelo para os jogadores que tinha, reforçou a defesa não destapando o meio campo e deixou duas motas na frente capazes de confundir a defesa londrina. Honestamente, não consigo ver nesta forma de pensar algo tão despropositado e desfasado da realidade que seria o embate com o Chelsea. Há uma coisa que não tenho duvidas, Lopetegui conhece o Chelsea melhor do que qualquer um de nós e acreditou que esta seria a fórmula mágica para derrotar os ingleses na sua própria casa. Infelizmente, o Porto perdeu, não porque jogou em 5-3-2, mas porque o Chelsea é e foi melhor que nós, deu-nos a iniciativa de jogo e fodeu-nos no contra-ataque. Tão Mourinho, não é? A estatística dos jogos consegue ser muitas vezes curiosa e ontem foi um desses casos, senão vejamos, o Porto perde e bem por 2-0, mas tem mais remates que o Chelsea (11-16), tem mais cantos (5-6) e acaba o jogo com uns impressionantes 61% de posse de bola a jogar fora de casa. Mourinho não anda a dormir, fez entrar Ramires para o lugar de Fábregas e o panzer Diego Costa para o ataque, ao contrário do que fez nos 2 anteriores jogos do campeonato. Deixou o Porto jogar, deixou-o ter bola e foi fulminante a sair para o contra-ataque.

O historial de jogos em Inglaterra era assustadoramente negativo para o Porto antes da visita a Stamford Bridge, em 16 jogos disputados com equipas britânicas, tínhamos apenas 2 empates e 14 derrotas. Equipas como o Newcastle em 69 (1-0), o Wolverhampton em 1974 (3-1), o Tottenham em 1992 (3-1), o Arsenal em 2006 (2-0), 2008 (4-0) e 2010 (5-0) ou o City em 2011 (4-0), que não ganham absolutamente nada a nível europeu, foram capazes de nos vencer, e em muitos dos casos, golear. Mas Lopetegui, ouve uma cena, o Porto perdeu ontem por 2-0 com o Chelsea por tua única culpa e porque não foste capaz de manter o esquema habitual de 4-3-3. Todos os anteriores treinadores que visitaram Inglaterra, perderam ou em poucos casos empataram, porque os adversários foram melhores e não por tentarem inventar uma fórmula mágica, não é Jesualdo?

Quando soube do onze inicial, percebi que Lopetegui preparava algo de diferente para atacar o apuramento mas persistia a duvida se jogaríamos em 5-3-2 ou com Layún a jogar mais avançado, duvidas essas que ficaram dissipadas mal soou o apito inicial do turco Cüneyt Çakir. A verdade é que o Porto entrou em campo a jogar de forma muito personalizada, e não fosse a infelicidade dupla de Marcano no minuto 12 e o jogo poderia e deveria ter sido outro. O golo precoce do Chelsea não desmontou a organização do Porto que embora não criando perigo, conseguia manter o Chelsea afastado da sua área, e só através de lances de bola parada é que assustava o tranquilo Casillas. A excepção foi um remate de Óscar que volta a tabelar em Marcano, saindo a rasar o poste. O intervalo chega e Lopetegui decide não mudar nada, mantendo o onze que iniciou a partida. O Chelsea foi o 1º a criar perigo num lance em que o Wilian permite a defesa de Casillas e o Porto responde num remate de fora da área de Corona. O Porto volta a rematar por Brahimi que infelizmente mete a bola na bancada quando tentava metê-la na gaveta e à 2ª tentativa Wilian não perdoa, numa cópia da jogada do inicio da 2ª parte. Marcano ainda assusta Courtois numa cabeçada na sequência de um canto e Lopetegui decide mexer e montar o habitual 4-3-3 com a entrada do Sadbakar. Brahimi volta à esquerda, Corona cola-se na direita e de imediato faz mossa numa jogada que faz o que quer de Azpilicueta, cruza para Brahimi, que domina bem a bola, remata colocado mas infelizmente a bola desvia na cabeça de Ivanovic. O Chelsea dá definitivamente a posse de bola ao Porto, mas procura sempre o erro dos azuis e brancos e Óscar está perto do golo num lance que remata de calcanhar. Tello que tinha entrado para o lugar de Herrera obriga Courtois a uma boa defesa num remate que dá a ideia de não ir na direcção da baliza mas o Chelsea responde num remate ao poste de Hazard. Estávamos numa fase em que o 3-0 estava tão perto como o 2-1 porque o jogo estava louco e completamente aberto, mas até final foi novamente Brahimi a criar perigo num grande remate de primeira que passa a beijar o poste. O apito final chega, a derrota é justa, embora a equipa tenha feito tudo o que estava ao seu alcance para fazer a tal história que todos os portistas desejariam. Se formos intelectualmente honestos, não poderemos afirmar que o resultado seria outro caso Lopetegui não tivesse "inventado". Adeus Liga dos Campeões, olá Liga Europa.
 

Para finalizar, aquela recepção lastimável à equipa e treinador no aeroporto, com tentativas de agressão a Lopetegui que censuro, e com as quais não me identifico minimamente. A nação portista está descontente, tem razões para isso, mas comités de "boas-vindas" selvagens ao nosso treinador são actos que em nada dignificam o comum e apaixonado adepto portista. Ser portista deveria ser muito mais do que isto. 


Brahimi - O MVP da partida. O argelino não marcou, não assistiu mas fez um jogo enorme. Uma hora muito ingrata, onde foi médio criativo, extremo, avançado mas sempre a procurar o espaço e a bola. Voltou à sua posição natural com a entrada de Aboubakar e foi sempre dos seus pés que nasceram as jogadas de maior perigo do Porto. A equipa lutou muito mas o argelino foi sempre o mais inconformado. Um grande jogo na maior montra do futebol mundial.
Corona -A par de Brahimi, fez a dupla de ataque no sistema improvisado (ou talvez não) de Lopetegui. Trocou várias vezes de posição com o argelino na tentativa de desmontar a defesa de betão do Chelsea mas foi a extremo que foi mais incisivo.
Casillas - Não foi por ele que o Porto perdeu este jogo. Fez o que podia no lance do primeiro golo e não tem a mínima hipótese no míssil de Willian. Deu sempre segurança à equipa e foi sempre evitando o inevitável.




Adeus Champions - Depois de 10 pontos em 4 jogos e estarmos à distância de um empate nos 2 últimos jogos da fase de grupos, ser eliminado da Champions é como nos espetarem uma faca e rodar para ambos os lados. Vêm aí a Liga Europa, competição onde até fomos felizes em 2003 e 2011 mas ouvir o hino da maior prova europeia de clubes sem ver o nosso Porto, será de uma enorme azia.
Marcano - Decididamente não foi o melhor jogo do central espanhol. Duplamente mal no lance que inaugurou o marcador, não consegue fazer um corte aparentemente fácil e como se não bastasse, vê a bola bater-lhe depois da boa defesa de Casillas e encaminhar-se para dentro da baliza.
Lopetegui - Nada nem ninguém poderá garantir que ganharíamos o jogo caso o nosso treinador não tivesse alterado o nosso esquema habitual, mas mudanças "abruptas" em jogos chave tendem a dar mal resultado.