Pragmático QB

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sábado, 26 de setembro de 2015

Moreirense 2 vs FC Porto 2 - 25.09.2015 - Liga Portuguesa

O masoquismo Portista. 

Como é habito, comecemos por um pouco de história e estatística acerca das viagens do Porto a Moreira de Cónegos. Antes do jogo desta noite e em 5 jogos no Comendador Joaquim Almeida Freitas, o nosso Porto empatou 2 e ganhou 3, ou seja, não sendo um adversário temível, é um clube que nos merece algum respeito. Hoje jogou-se novamente e o resultado deu empate, o que somando aos jogo anteriores, facilmente se percebe que o Porto só ganha 50% dos jogos efectuados em casa do Moreirense.

Queria ter escrito qualquer coisa no intervalo temporal entre o jogo com o Benfas e este com o Moreirense, mas compromissos familiares não me permitiram, no entanto tive oportunidade de ler um pouco por toda a Bluegosfera, avisos reais, que eu subscrevo na totalidade, do perigo que seria um jogo após a euforia da vitória sobre o nosso maior rival e um confronto de Champions contra o Chelsea. Os alertas foram dados, quase que como uma premonição, mas infelizmente a nossa equipa não lê os blogues azuis e brancos.

O nosso Mister fez alterações na equipa mais ou menos previsíveis, a pensar não só no Chelsea, mas também no constante refrescar da equipa, usando a famosa rotatividade, algo de que o nosso treinador é fã e não abdica. O 4-3-3 estava bem patente desta vez e não deixava espaço para duvidas, de quem e onde cada jogador ocuparia o seu lugar em campo. O jogo começou com 3 minutos surreais, Marcano a escorregar, passes errados, a bola tinha picos. Maxi quis pôr ordem na coisa e faz uma arrancada vistosa mas inconsequente depois do mau cruzamento do Corona. A jogada não teve qualquer tipo de perigo mas serviu para o Porto acordar, acalmar e pegar no jogo pelos colarinhos. A equipa fazia o seu habitual jogo de posse no meio campo adversário quando o Maxi "saca" uma falta, superiormente cobrada pelo "especialista" Maicon, num livre directo "à la Barroso". O mais difícil estava feito, golo marcado cedo no jogo e controlo total do tempo e espaço. Osvaldo pouco depois dá um cheirinho do que pode fazer numa recepção orientada, seguida de remate perigoso. Nesta primeira meia hora apercebi-me da exacerbada aversão que o Brahimi tem em passar a bola ao Láyun, algo que me irrita solenemente, mas que ao mexicano lhe deve tirar o sono. O tempo passava, a equipa adormecia mas o nosso André não deixava o jogo arrefecer e numa jogada individual plena de técnica e força, provoca um calafrio ao Stefanovic. Maicon acaba a 1º parte com um cabeceamento perigoso a revelar toda a confiança que atravessa no momento. A 2º parte começa praticamente com o golo do Moreirense, numa jogada em que Cardozo e o Medeiros desmontam meia equipa portista e provocam uma cratera gigante na defesa do Porto. O jogo ficou meio manhoso durante algum tempo, o Lopetegui percebeu isso e trocou Herrera por Tello, passando o Corona para o meio e o esquema táctico foi alterado para um 4-2-3-1, com o Danilo e o André a jogarem lado a lado. Foi uma mudança altamente proveitosa, o Porto tomou novamente conta do jogo e permitiu ao Corona brilhar como ainda não o tinha feito durante a primeira hora de jogo. Corona primeiro e Osvaldo depois, têm 2 oportunidades de golo flagrantes mas o empate manteve-se. Lopetegui sente que é preciso algo mais e põe toda a carne no assador a 15 minutos do fim, quando tira o Marcano e faz entra o nosso Coolbakar. O Porto passa a jogar numa espécie de 3-3-4, a fazer lembrar o saudoso Co Adriaanse, e chega novamente ao golo por Corona, que aproveita da melhor maneira o facto do Moreirense ter ficado atordoado depois de ver tanto portista na sua área. Osvaldo poderia ter sentenciado o jogo, depois de um grande passe do nosso Coolbakar, mas como quem não marca sofre (merda de chavão), acabamos por levar mais um golpe no lombo em cima do minuto final.


Maicon - O MVP da partida. Atravessa um grande momento de forma, muito possivelmente a melhor fase desde que chegou ao Porto. Marcou o seu 2º golo no campeonato, curiosamente o 2º de bola parada, num livre superiormente bem marcado. Transpira confiança, facto que lhe permite disputar qualquer lance com a certeza que o vai ganhar e está com uma percentagem de passes longos certos a fazer inveja aos anos brilhantes do Rafa Marquez no Barcelona.
André - Mais um jogo, mais 90 minutos sempre a abrir. Com já foi dito por muito portista, neste momento é o André e mais 10. Jogou uma hora a 8, e com a entrada do Tello recuou no terreno, numa e noutra função o grau de êxito andou nivelado sempre por cima.
Corona - O Porto jogou com 10 a primeira hora de jogo e com 12 a meia hora seguinte. Corona foi 8 na ala e 80 no meio., um facto tão curioso que merece a atenção do nosso Mister. Marcou o nosso 2º golo, num lance cheio de técnica e frieza.
Claques - Mais uma vez, mérito seja dado aos nossos meninos, foram incansáveis no apoio à equipa, mesmo naqueles momentos difíceis do jogo.


Casillas - Não o considero um ódio de estimação, mas não morro de amores pelo espanhol, nunca o fiz e duvido que o venha a fazer, agora que é jogador do meu clube. Teve pouco trabalho durante toda a partida e sofre 2 golos, é um jogo ingrato para toda a equipa e principalmente para ele. Mesmo tendo feito uma boa defesa no final do jogo e friamente analisando, sou só eu que fiquei com a ideia que poderia ter feito muito mais no lance do 2º golo? É um cruzamento bombeado para um cabeceamento feito já dentro da pequena área.
Herrera - Está em pior forma do que eu, e eu peso mais de 90 quilos, o que diz muito do momento do mexicano. Falta férias, praia, falta descanso ao moço, é tão evidente que chega a ser desesperante vê-lo jogar. Aqui que ninguém nos ouve, o Herrera já passava a pasta ao nosso Sérgio.
Brahimi - O coelho da cartola pode sair a qualquer momentos, mas nos ultimos 3 jogos, nem houve coelho nem cartola. O argelino não gosta do Láyun, fica evidente a cada jogo que passa, o que faz com que o mexicano faça piscinas inconsequentes.
Segurar a vantagem - Aconteceu em Kiev e hoje voltou a acontecer por duas vezes, o Porto não conseguiu segurar a vantagem no marcador. Um pouco mais de manha e menos romantismo, nunca fez mal a nenhuma equipa profissional.






Atitude de uma pessoa que retira prazer ou parece gostar do seu sofrimento ou humilhação.

"masoquismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/masoquismo [consultado em 26-09-2015].
Atitude de uma pessoa que retira prazer ou parece gostar do seu sofrimento ou humilhação.

"masoquismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/masoquismo [consultado em 26-09-2015].

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

FC Porto 1 vs Benfica 0 - 20.09.2015 - Liga Portuguesa


A vitória do Mestre André.

O estado de espírito neste momento é obviamente o mais melhor bom possível. Depois de 2 anos a ver o rival ser campeão, e de na ultima época não termos conseguido ganhar ao Benfas, sabe muito bem um miminho destes. Feliz, pela vitória, pela minha família e amigos portistas, pelos adeptos que estavam a precisar de um rebuçado destes para começarem a acreditar mais na equipa e feliz por Lopetegui, um homem que embora não seja português, sente o clube como se tivesse nascido no Dragão, e que mais que qualquer outro, precisava de provar a si mesmo, que consegue ganhar a qualquer clube em Portugal. Quebramos o enguiço e voltamos a ganhar ao rival, num jogo que até ao minuto 86, esteve muito perto de terminar empatado. Foi a 13ª vitória seguida em casa no campeonato, o 33º golo marcado e nenhum sofrido. Notável. O Dragão é a nossa casa, o nosso ninho, a nossa fortaleza.

Lopetegui optou pelo melhor onze, ou se quisermos, o onze em melhor forma. Danilo e Herrera ou Tello e Varela podem ser titulares em qualquer altura, mas num jogo em que era fundamental ganhar e depois de alguma gestão no jogo de Kiev, esta era a melhor equipa possível para o simbolismo e grau de dificuldade do jogo. Apesar da equipa estar teóricamente montada para um 4-3-3, Lopetegui tentou surpreender o seu rival e apresentou um 4-4-2, com André do lado direito e Corona praticamente ao lado do Coolbakar, um esquema que lhe permitia encaixar no clássico sistema de Jorge J... Rui Vitória. O jogo começou algo descaracterizado, a dar a ideia que os jogadores do Porto se estavam a adaptar às posições e foi o Imbula a provocar o 1º bruaá no Dragão com uma cueca criminosa ao Andreas "fala português bem pra caralho" Samaris. O Benfica responde pelo mesmo homem, Mitroglou obriga Iker a 2 boas defesas em resposta a 2 boas cabeçadas do grego. Mitroglou volta a estar perto do golo por volta dos 25 minutos mas chega atrasado ao cruzamento e nesta fase o Benfas parece-me ligeiramente melhor e mais tranquilo. Lopetegui percebe isso e desmonta o 4-4-2, voltando André para o meio e Corona para a faixa e o Porto mesmo sem criar jogadas de perigo, acaba a 1ª parte por cima. Antes de ir ao para os balneários, o Maicon tentou aparar o cabelo ao Jonas. O chá, bagaço, licor Beirão ou outra qualquer merda foi dada ao intervalo e a equipa acordou do coma induzido nos primeiros 45 minutos. Coolbakar agradeceu o cruzamento à medida do Mestre André mas infelizmente cabeceia ao poste. Estava dado o mote para uma 2ª parte em cima do Benfas. O jogo estava vivo, tão vivo que o Maxi ainda pensava que estava no Benfas e carrega Jonas, um jogador que prometeu a Gaitan que desta vez ia cair mais vezes do que o argentino. O André Almeida, achou que valia tudo e dá uma cotovelada mesmo com o cotovelo no nosso André e Soares Dias pensa " hoje não vou expulsar ninguém". O Porto continuava por cima, quando o nosso André desmarca o Coolbakar que na sua inocência não cai na área quando é tocado pelo Luisinho e tenta marcar já sem ângulo e força. O Eliseu quis ser feliz e tenta colocar a redondinha onde a aranha faz a teia e Mitroglou, sempre ele, cabeceia novamente com perigo. Láyun, um pouco em desespero, também tenta a sua sorte de fora da área mas o momento 92, desta vez foi aos 86 com um golo do Mestre André. O estádio abanou mas a minha casa é que veio abaixo.

42-22 em ataques, 12-6 em remates, 65-35% na posse de bola, números que revelam um claro, embora nem sempre perigoso, ascendente do Porto sobre o rival. Segue-se o Moreirense fora de casa, num jogo em que Lopetegui deve voltar a mexer na equipa a pensar no jogo da Champions contra o Chelsea. Temos neste momento 13 pontos em 15 possíveis, empatamos na Madeira onde tínhamos perdido o ano passado, e ganhamos ao Benfas em casa, ao contrário da derrota do ano passado. Friamente falando, estamos a ganhar pontos onde perdemos a época passada, o que traduz uma clara melhoria pontual. Acredito que a vitória de hoje valha mais que os 3 pontos, assim como a derrota do ano passado, embora numa altura diferente da época, tenha significado bem mais que uma simples derrota.


André - O MVP da partida. Como se diz cá na terra, que jogador do caralho! O moço transpira Porto até de baixo de água. Jogador totalmente fulcral no esquema de Lopetegui. Dá o que tem, o que não tem e o que alguns colegas não conseguem dar e depois diz coisas como "Sentimento muito especial. Sentimento de dever cumprido. Foi uma jogada muito bonita. O importante foi a vitória do Porto e não o golo do André, mas fazer um golo no clássico pelo meu clube do coração é tudo o que sempre sonhei." Mais do que um jogador à Porto, um portista à Porto. A par de Aboubakar, o jogador que mais merecia o golo.
Aboubakar - O nosso menino esteve 1 ano com Jackson, bebeu da mesma gamela que o colombiano, aprendeu de tudo um pouco, deu-lhe o seu cunho pessoal e actualmente é um touro em campo. Trabalha nos limites, e às vezes é difícil entender como joga tanto tempo numa rotação tão alta. Hoje merecia o golinho da praxe, ainda enviou uma bolacha de cabeça ao poste, e tentou marcar um golo, depois de ter levado um toque dentro da área. Jogasse ele de vermelho e branco e tinha dado 7 voltas no chão agarrado ao joelho. Tentou marcar mas não conseguiu e foi do banco que festejou o golo do Mestre.
M&M's - Marcano imperial e Maicon certinho apesar de algum descontrolo emocional. Mais um jogo sem sofrer golos, algo que se vem tornando comum sempre que esta dupla joga à frente do Keeper. Marcano teve sempre a tranquilidade que faltou a Maicon, principalmente naquela paragem cerebral À La Pepe que lhe podia ter custado caro. Seja como for, jogo complicado mas podem ir para casa com a sensação do dever cumprido.
Maxi - 8 anos de Benfica e depois? El Mono foi tudo menos um mono. Secou Gaitan na medida do possível, arriscou ver 7 amarelos no mesmo jogo mas deixou tudo em campo de forma a ninguém perceber que jogou quase uma década no rival. Diz-se que ganha um salário criminoso para a realidade portista mas como eu costumo dizer, todos os jogadores ganham muito, mas há uns que merecem mais do que outros. Este merece tudo o que ganha.
Claques -  As 2 claques portistas embelezaram ainda mais a vitória com 2 grandes coreografias.



Brahimi - O argelino não está em forma, ponto. As alternativas são Tello e Varela que como se viu hoje, também deixa muito a desejar. Dos 3, e partindo do principio que nenhum está em forma, aceito que jogue Brahimi porque é o único capaz de sacar um coelho da cartola de um momento para o outro. O homem está sempre em jogo, é activo, nunca se esconde mas a verdade é que quase tudo lhe saiu mal. Acaba o jogo com aproximadamente 60% de passes certos, o que para um jogador com a sua influência, é claramente pouco.
Corona - Quando eu pensei que o mexicano ia fazer do Eliseu, uma galocha, o extremo portista faz um jogo fraquinho, fraquinho. Espero que de futuro se veja mais Arouca e menos Benfas nas exibições do Tecatito.
Adeptos - É o jogo que todo o portista espera que aconteça na época, então como explicar tanto silêncio no estádio? Eu, o maior portista de sofá do mundo, não entendo.























sábado, 23 de maio de 2015

FC Porto 2 vs Penafiel 0 - 22.05.2015 - Liga Portuguesa













A exibição mais silenciosa da época.

A partir do momento em que o jogo de Belém terminou, começou uma das mais animadas semanas dos últimos anos. Desde bloqueios da estrada a caminho do Centro de Treinos do Olival, passando por uma troca de galhardetes entre o Dragões Diários e Super Dragões, e o já habitual silêncio da direcção do Futebol Clube do Porto, houve um pouco de tudo. Habitualmente discordo de grande parte das atitudes das nossas claques, especialmente quando as mesmas em nada dignificam o nosso clube, mas desta vez penso que todos os Portistas sensatos estarão de acordo, não só com o simbólico interromper do treino, mas principalmente com o comunicado elaborado pela mais representativa claque do nosso amado clube.

Para o último jogo do Dragão, esperava-se o chamado "ambiente de cortar à faca". Faço por isso vénias, aos 16009 espectadores que se deslocaram ao Dragão para assistir a um jogo que se previa fraco, num cenário muito possivelmente desagradável, onde o chavão "jogo para cumprir calendário", poucas vezes terá feito tanto sentido como ontem. Os corajosos adeptos e claques que marcaram presença no jogo de ontem fizeram questão de mostrar o seu desagrado perante o que foi a época que agora termina, passando 85 minutos praticamente em silêncio, já que nos últimos momentos da partida se ouviu "o Porto é nosso e há-de ser!". Um protesto onde me revejo totalmente, sem violência e em silêncio - "para bom entendedor, meia palavra basta" - os habituais cânticos de apoio à equipa, foram substituídos por um quase religioso silêncio, acompanhado de meia dúzia de tarjas reveladoras do sentimento de quase toda a Nação Portista.

O jogo foi morno, é uma verdade irrefutável, mas o certo é que poderíamos ter chegado ao intervalo a ganhar facilmente por 3/4 golos. Danilo logo aos 2 minutos abriu as hostes com boa defesa de Coelho, seguindo-se Jackson com um cabeceamento ao lado da baliza penafidelense depois de cruzamento de Danilo e novamente o colombiano a cabecear por cima quando tinha tudo para inaugurar o marcador. A equipa e principalmente Quaresma e Quintero bem tentaram servir o melhor marcador do campeonato mas cedo se percebeu que não era a noite do ainda nosso Jackson. O Penafiel ia respondendo com alguns remates de fora da área, sem no entanto causar grande mossa no nosso relaxado Hélton. Brahimi foi o último a demonstrar o desacerto e desinspiração geral com uma perdida que devia dar prisão, depois de uma magistral jogada de Quintero. O intervalo chegou e o nulo marcador castigava, não tanto a atitude portista perante o jogo, mas principalmente a desconcentração no momento de pôr a redondinha na baliza.

A 2ª parte começa com mais um bom cruzamento de Danilo e nova perdida, desta vez de Quaresma. O jogo entrou numa fase onde ambas as duas equipas pouco fizeram para alterar o resultado, e foi preciso esperar pelo minuto 70 para assistir a algo que nos fizesse aumentar ligeiramente o ritmo cardíaco, com novamente Jackson a tentar marcar de bicicleta. O golo do Porto chega naquela fase do "ok, já estou a ver que vamos empatar isto", por Aboubakar depois de um belo passe do Evandro. Reyes em cima dos descontos ainda teve tempo para uma paragem cerebral e o golo da "tranquilidade" chega logo depois pelo Danilo, depois de um passe Jacksoniano de Aboubakar. Fim do jogo, fim da época, tempo para Jackson e principalmente Danilo se despedirem dos adeptos azuis e brancos.


Danilo - O melhor em campo. Já o seria nos 90 minutos, mas aquele golo e a forma aparentemente tranquila como o fez, foi a cereja em cima do bolo. Ninguém disse ao 2 portista que era um jogo para cumprir calendário, e sendo assim o brasileiro fez uma grande exibição. Foram mais de 10 quilómetros sempre em alta rotação, ora em trocas de bola com Quaresma, com cruzamentos perigosos ou remates à baliza. Marcou o seu 7º golo esta época, o 6º na Liga Portuguesa, o que para um defesa é um número bastante considerável. Quando se tem falado tanto em mística e raça, Danilo é um inequívoco exemplo de que mesmo nascendo a mais de 7.500 km da cidade invicta, podes sentir o clube por qualquer outro jogador que tenha feito todos os escalões da formação portista. A flash no final do jogo é sintomática da sua relação com o clube - "Custa-me muito, mas sei que vou ter um grande desafio pela frente. Amo o FC Porto, aprendi a gostar desta casa, que é minha. Nem tudo correu como queria mas sei que dei o máximo em todos os jogos que participei. Não é fácil deixar este lugar, mas desejo-lhes os maiores sucessos na próxima temporada."
Jackson - Não foi a noite de Jackson, mas era injusto colocá-lo na minha Zona Kralj, depois do que foi a grande época que o colombiano fez. Acaba o ano desportivo com 42 jogos e 32 golos, a sua melhor marca nos 3 anos que nos presenteou com a sua categoria. Ontem fez um mais um jogo à Jackson, batalhador, sempre a dar uma linha de passe para o meio campo portista, mas desta vez falhou num aspecto onde é fortíssimo, o golo.
Quaresma - O extremo acaba a época em excelente forma técnica e física. Ontem foi dos mais inconformados, sempre a tentar chegar a bola ao Jackson, ora em tabelas com Danilo, ora em cruzamentos. Lutou, correu, fez o que pode. A sua continuidade no Dragão divide mundos.
Casemiro - Só jogou meia parte mas fê-lo como se tratasse da final da Champions. O que eu sempre gostei no trinco durante esta época foi este mesmo comprometimento para com o jogo, fosse ele contra o Bayern ou Penafiel, a feijões ou para a Champions. O brasileiro não faz distinções, é sempre a doer e sempre com aquela postura do antes quebrar do que torcer.
Aboubakar - 35 minutos em campo, um golo e uma assistência, dificilmente se podia pedir mais a um jogador que não calçava há mais de um mês. É muito possivelmente o jogador mais cool do plantel, a seguir ao Hélton.
Carlos Brito -  Grande flash-interview. Sempre admirei a forma honesta, simples e descontraída como este treinador está no futebol.



Brahimi - Penso que já tudo foi dito sobre a 2ª parte da época do argelino. Muito sinceramente não me lembro de um jogador com uma descida de rendimento tão rápida, ainda por cima e talvez depois de uma ascensão meteórica. Foi mais um jogo fraco, onde complicou quase sempre tudo. Falhou aquele tipo de golo que todos nós dizemos " aquele, até eu marcava". 
Reyes - Num jogo onde pouco ou nada teve que fazer, conseguiu borrar a pintura com um passe suicida a desmarcar um jogador do Penafiel.








quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Braga 1 vs FC Porto 1 - 21.01.2015 - Taça da Liga


O Machado era grande, mas a raça foi maior.

Um jogo que se previa tenso, disputado e equilibrado entre duas equipas, que embora fizessem muitas alterações naquelas que são as suas equipas base, tinham grandes expectativas de vitória. Mas, infelizmente o protagonista máximo da Pedreira desta vez não foi Jackson, Óliver, Quaresma, Éder, Rafa ou Pardo, foi sim o senhor Cosme Machado, que para além do seu nome sui generis, optou por uma postura "sui horribilis". Não querendo pormenorizar em demasia a actuação do árbitro, porque não é esse o meu modus operandi, é justo dizer que no jogo de ontem, a arbitragem revelou falta de zelo, falta de bom senso, falta de critério e principalmente, uma tremenda falta de categoria e qualidade. Foi um filme digno do David Lynch.

Tal como tinha escrito, era um jogo que se previa equilibrado, tal como historicamente têm sido todos os jogos entre Braga e Porto, mas que se tornou desequilibrado fruto das 2 expulsões ainda na 1ª parte. O Braga entrou muito bem no jogo, era a equipa que jogava em casa e devido à sua situação no grupo, era também a equipa a quem a vitória interessava mais. A equipa do Minho foi pressionante desde o 1º minuto e não deixou o Porto construir o seu habitual estilo de jogo. Tal como o jogo contra o União da Madeira, o Porto repetiu o meio-campo e mais uma vez os 3 médios acabaram por ocupar os mesmos terrenos e não permitiram à equipa fazer a transição defesa-ataque de uma forma mais fluída. O Braga aproveitou-se disso mesmo e foi sempre melhor durante a 1ª parte, tendo o Porto marcado na única situação onde se aproximou da baliza do Kritciuk. As expulsões aos 34 minutos (Reyes) e 43 minutos (Evandro) mataram o equilibrio do jogo mas não o Porto, que revelou uma raça e espírito de sacrifício a roçar o heróico. O intervalo unicamente serviu para Lopetegui preparar a equipa da melhor forma para enfrentar 50 minutos com 9 jogadores e a verdade é que a equipa demonstrou em campo uma atitude e união como não se via há muito tempo. Com uma posse de bola de 37%, de longe a mais baixa desta época, e um sistema que era uma espécie de 4-2-2 ou 4-4, o jogo acabou justamente empatado, não pelo equilibrio nas oportunidades de golo, mas pela forma épica como os 9 guerreiros da Invicta protegeram a baliza do Hélton.

Existe um clichê que diz "perdemos o jogo mas ganhamos uma equipa". Neste caso não perdemos, empatamos, mas a forma como a equipa fez a 2ª parte plena de raça, querer, espírito de sacrifício e união deixa-me a mim, adepto portista, cheio de orgulho. Apesar de ser um jogo para a Taça da Liga, competição que desprezamos desde a sua criação, tivemos um cheirinho do que é a mística portista, o jogador "à Porto", o colectivo acima de toda e qualquer individualidade. O clube, a equipa e os adeptos saíram ontem da Pedreira com a sensação do dever plenamente cumprido e com a ideia que neste Porto de Lopetegui todos contam, todos são importantes, todos terão a sua oportunidade. Ver o Rúben jogar a 2ª parte a coxear, o Campaña com câimbras, o Tello sempre a fazer piscinas, o Indi a festejar um corte para canto como se de um golo se tratasse e o Hélton a chorar no final do jogo, é para mim não só um motivo de grande satisfação, mas principalmente de grande orgulho. O que vimos ontem, É SER PORTO.







Claques - Tantas e tantas vezes relegamos a claque para um plano secundário e envergonhamos-nos por atitudes que em nada dignificam a grandiosidade do maior clube português. As palavras desta vez só podem ser elogiosas, porque o que se viu e ouviu ontem em Braga merece todo e qualquer destaque. Sempre a cantar, sempre a apoiar, isto sim são os adeptos portistas. Nos primeiros 15 minutos só se ouvia a claque do Porto. Lindo.

Lopetegui - Justiça lhe seja feita, se existe este espírito no grupo, grande parte da "culpa" é do seu treinador. Teve grande mérito na forma como montou a estratégia para a 2ª parte, e excelente substituição ao mandar o guerreiro Herrera para dentro do ringue.

Organização da Equipa - É óbvio que o Porto sofreu na 2ª parte, não se esperava outra coisa, mas não foi um sufoco, não vi o Braga a encostar o Porto às cordas e a criar situações claras de golo em catadupa. A equipa teve uma enorme organização, defendia com 8 homens à volta da sua grande área e lançava os 2 ciclistas Tello e Herrera para a frente sempre que possível, conseguindo duas excelentes oportunidades de golo por Tello e Campaña. 

Hélton - O Capitão voltou e fê-lo em grande. Um punhado de boas defesas, aliadas à habitual segurança e tranquilidade em campo fazem do brasileiro o melhor em campo. Destaco também a forma subtil que perdia tempo em cada lance que tinha a bola, sempre com aquele sorriso manhoso de quem leva muitos anos disto. Viu o amarelo aos 90 minutos, depois de passar toda a 2ª parte a "enconar". Um regresso em grande e um final de jogo em que se emocionou muito por culpa dos 9 meses de paragem. É o Capitão, é um líder e é sem espinhas, o dono da baliza portista.

Rúben Neves - O mais esclarecido dos portistas. Fez metade do jogo claramente inferiorizado, mas nunca perdeu o sentido de jogo, a capacidade de passe e o posicionamento defensivo. Um grande jogo do "experiente" menino de 17 anos.

Evandro - Nota de destaque para a forma quase obscena com o brasileiro marca os penáltis. Uma eficácia tremenda num ponto muito sensível da equipa. Se copiarem a regra do Andebol onde um jogador pode entrar unicamente para marcar ou defender penáltis, eu assino por baixo.

Herrera - Excelente entrada em jogo. Tinha a missão de fechar o lado esquerdo portista e ser o responsável por lançar o Tello às feras e fê-lo religiosamente. 

Ángel - A cada jogo que passa fico mais fã deste moço. Jogo muito competente. A possível venda do Alex Sandro deixou de me tirar o sono.







Tello - Mais do mesmo. É um jogador com uma velocidade e técnica invejáveis mas a forma como define 99% dos lances fazem dele quase sempre um problema e não uma solução. Podia ter dado a vitória e ter elevado o heroísmo da equipa para outro nível, num lance em que se vê isolado e remata fraco.

Lesões - Aderlan e Ádrian saíram nos primeiros 10 minutos e foi mais um factor para desvirtuar o jogo. No caso de Ádrian, aconselho uma ida à bruxa porque tudo parece acontecer ao espanhol.

Cosme Machado - O "Howard Webb" português é fraco, não há duvidas, mas ontem foi exacerbadamente mau. Julgou mal uma série de lances, teve dualidade de critérios, ou seja, esteve ao seu nível. A importância do jogo não era muita, mas o estatuto das equipas merecia uma arbitragem bem mais competente. Temo que tenha sido um aquecimento para o jogo na Madeira, desta vez com o nosso "amado" João Capela.