Pragmático QB

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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Leicester 1 vs FC Porto 0 - 27.09.2016 - Liga dos Campeões

Quando adormeces e chegas atrasado ao trabalho.

Há coisas que nunca mudam, tipo o Slimani ter uma apetência criminosa para nos marcar golos (7 em 9 jogos, pior só o Lima com 9 golos em 18 jogos) e tipo nunca ganharmos em Inglaterra. Com a derrota em Leicester, o histórico de confrontos em Inglaterra continua pornográfico, porque em 18 jogos somamos 16 derrotas e apenas 2 empates, curiosamente em 2 jogos contra o meu Manchester United, um deles épico, num dos momentos mais felizes da minha vida. Leicester, Manchester United e City, Chelsea, Newcastle, Tottenham, Arsenal e mais algumas, já todos nos fizeram cair, com mais ou menos estrondo.

Vi alguns jogos do Leicester esta época e na época passada, principalmente a partir do momento em que passaram para a liderança da Premier League e o sonho começou-se a tornar em realidade. O futebol da equipa comandada por Ranieri é tão simples e básico, que chega a ser incompreensível a forma como ganham e ganharam tantos jogos. Vardy e na maior parte das vezes Okazaki massacraram defesas inteiras durante toda a época passada mas Ranieri foi ambicioso e quis algo mais na frente de ataque, quis um jogador semelhante a Vardy, que fosse rápido, que fosse chato e pressionante, que corresse durante 90 minutos, e que principalmente marcasse golos e conseguiu isso tudo com a compra de Slimani. 

O jogo de ontem conseguiu aliar futebol inglês à moda antiga e futebol italiano no seu estado puro. O Leicester entrou forte, usou e abusou do futebol aéreo, quer através de cantos, livres ou lançamentos laterais, e depois de chegar à vantagem, recuou toda a equipa e tentou jogar em contra-ataque, sempre com os 2 panzers na frente preparados para fazer estragos. O Porto acordou tarde e se é certo que merecíamos melhor sorte, não podemos estar sempre à espera dos 20/25 minutos finais para tentar ganhar jogos. Discordando do Nuno mais uma vez, acho que a eficácia ou falta dela não deve ser chamada para esta equação.



Otávio - O MVP da partida. O pequeno Deco voltou a fazer um grande jogo e foi dos poucos que conseguiu fazer mossa na defesa inglesa. Dribles, passes e uma entrega total ao jogo mereciam mais sorte e mais acompanhamento por parte da restante equipa. Sofreu uma entrada durissima mas nem isso lhe retirou a vontade de ajudar.
Danilo - Um bicho no meio dos bichos azuis. Esteve um pouco por todo o lado, compensou laterais, recuperou bolas, saiu a jogar. Foi o Danilo dos melhores momentos da época passada.
Substituições - Nuno fez as 3 substituições e acertou em cada uma delas. Diogo Jota, Corona e principalmente Herrera entraram muito bem no jogo. Diogo Jota foi rematador, Corona teve nos pés a nossa melhor oportunidade no jogo, e Herrera organizou o meio campo, empurrou a equipa para a frente e foi um dos principais causadores da superioridade portista no final do jogo.


Arbitragem - O boi do árbitro turco, que já conheço de outros jogos europeus, tal como é seu hábito, conseguiu ser um dos maiores protagonistas do jogo. Várias decisões erradas, algumas delas incompreensíveis, foram uma forte ajuda para que o Porto não conseguir dar a volta ao golo de Slimani aos 20 minutos. Não deixar o Porto marcar um canto aos 45 minutos da 1ª parte, perdoar uma expulsão a um jogador do Leicester, assinalar mão na bola em todas as situações contra o Porto, transformar um claro penalti a nosso favor numa falta atacante inexistente foram alguma das obras primas de um árbitro que cedo se percebeu, iria ser o 12º jogador inglês. 
Querer entrar com o comboio em andamento - O Porto do jogo com o Copenhaga, Tondela e Leicester, faz-me lembrar um trabalhador que certo dia adormeceu, chegou duas horas atrasadas ao trabalho e quando chegou o momento de sair do emprego e voltar a casa, percebeu que não tinha completado todas as suas tarefas diárias. O Porto ontem foi esse mesmo trabalhador que adormeceu e chegou atrasado ao trabalho, e quando o cabrão do turco Cüneyt Çakir apitou para voltar a casa, percebeu que já não tinha tempo para dar a volta ao resultado. O Porto de Nuno Espírito Santo joga muito pouco (haters, querem começar a falar sobre o futebol do Lopetegui ou esperamos por mais alguns empates e derrotas?) e se para além disso, também chega atrasado aos jogos, está tudo fodido. Raça, Empenho, Vontade e Querer Ganhar são tudo características importantes para se ganhar jogos e canecos mas se só te serves delas a 20 minutos do fim, ou se não consegues praticar um futebol minimamente atractivo, vais ter muitos problemas durante a época.
Brahimi & Deproite - Compreendo que não podes convocar um jogador só porque normalmente eles faz grandes jogo na Europa mas deixar Brahimi na bancada foi claramente um erro do casting. O argelino nas 2 épocas anteriores foi várias vezes acusado de só jogar bem nos jogos europeus, e apesar de ser uma afirmação muito discutível, a verdade é que Brahimi por uma razão ou outra se agiganta na Liga dos Campeões, não aproveitar esse facto, é não aproveitar o melhor que o plantel tem para te dar. Se Depoitre não serve para entrar na 2ª parte, numa altura em que estás a perder por 1-0 e precisas de presença na área para deitar abaixo roupeiros como o Huth e o Morgan, então vai entrar em que tipo de jogo?

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

FC Porto 3 vs Guimarães 0 - 10.09.2016 - Liga Portuguesa

A exibição mais segura da época.

Apesar do Afonso Henriques ser uma verdadeira fortaleza para o Guimarães, as estatísticas revelam que as visitas ao Dragão transformam a equipa vitoriana num adversário estranhamente dócil para o seu historial. A última vitória do Guimarães aconteceu em 1996 e o melhor que conseguiram desde daí foi um único empate em 2005. 20 anos em que o Porto venceu quase sempre e no passado sábado, aconteceu a regra e não a excepção.

O Vitória entrou muito bem em campo, talvez aproveitando o facto do 4-4-2 clássico do Porto estar aparentemente pouco oleado mas a verdade é que passados os primeiros 15 minutos, o "perigo" causado pelo Guimarães resumiu-se a meia dúzia de remates de fora da área. Muito vontade, muita raça, boa qualidade técnica com alguns momentos de tiki-taka mas tudo esprimidinho resultou em raros lances de golo na baliza de Casillas.

Nuno experimentou uma nova nuance táctica (adoro esta expressão) com Deproite e André Silva de inicio e com 2 médios nas alas disfarçados de extremos. Enganou-me porque depois de ver o onze inicial fiquei com a ideia de que iríamos usar um 4-4-2 losango com Otávio a 10 à frente do trio clássico de médios. Não desgostei desta forma de jogar, Deproite como facilmente se percebeu, não tem qualquer problema em em lutar contra a defesa contrária e André Silva também não revelou grande défice por de quando em vez ter de recuar no terreno ou descair mais nas alas. André André e Otávio no papel começavam nas alas mas quase sempre vinham para dentro deixando que os corredores fossem percorridos vezes sem conta por Layún e Telles. Foi um bom jogo do Porto, com um resultado gordo, muito por culpa de um Guimarães que nunca quis jogar para o ponto. Tivemos alguma sorte na obtenção dos golos, mas também algum azar numa bola à barra e num golo aparentemente mal anulado.


Óliver - O MVP da partida. É no meio que este puto joga bem, mais à frente ou mais atrás, é no meio que o Óliver brilha. Grande jogo, grande dinâmica, revelou um muito melhor entrosamento e conhecimento da equipa. Acabou por merecer o golo que sem querer marcou. A forma como faz a bola parecer parte dele próprio é soberba. Bravo.
Deproite - E não é que gostei de ver o belga jogar no seu primeiro jogo completo. Tudo o que fez, fez bem, recebe de costas e deixa para um colega, vai a todas as bolas pelo ar e ganha a disputa quase sempre, joga simples e sem rodriguinhos. Só um aspecto que deve rapidamente corrigir, um avançado vive de golos e o belga tem de começar a pensar em ser menos altruísta e começar a fuzilar as balizas adversárias.
Layún - Oh Miguel, não te cansas caralho?! Mais um jogo onde o mexicano encheu o campo e esteve quase sempre nos lances decisivos do jogo. Uma bola na barra, um canto cobrado que resulta no primeiro golo, um cruzamento mortifero que obriga a um auto-golo vitoriano. Um jogador que fala e principalmente joga muito à Porto.
Bolas paradas - Após anos a ver a banda passar, parece que finalmente estamos a aproveitar os muitos cantos e livres de que dispomos em todos os jogos.


Jorge Sousa - O árbitro portuense esteve parado muito tempo devido a lesão e a verdade é que esse facto parece ter causado mossa na forma como ajuizou inúmeros lances. Faltas marcadas ao contrário, faltas que ficaram por marcar ou foram marcadas indevidamente, um golo mal anulado que nem as várias repetições conseguem dar razão ao árbitro. Acabou por não influência no resultado embora tenha feito uma exibição que certamente não deixará saudades.
Cruzamentos vs posse de bola - A maior critica que era feita a Lopetegui a par da famigerada rotatividade, era a excessiva e inconsequente posse de bola da equipa. Nuno parece ter matado esse mesma posse de bola em detrimento de um abusivo número de cruzamentos para a área. Tem sido demasiadas bolas cruzadas pelos laterais para tão pouca presença na área.