Pragmático QB

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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Benfica 1 vs FC Porto 2 - 12.02.2016 - Liga Portuguesa

La remontada Casillana.

O futebol desperta muitos ódios mas consegue despertar ainda mais paixões, muito por culpa de jogos como este, onde o actual David consegue vencer o actual Golias. As equipas chegavam ao 164º maior clássico da Liga Portuguesa num estado de espírito e actuais momentos de forma completamente inversos. Benfica, o Golias (pelo menos pelo que se ia lendo na imprensa desportiva escrita), após ter perdido em Alvalade sem apelo nem agravo, vinha de 14 jogos, com 1 empate e 13 vitórias, muitas delas com números expressivos, o chamado rolo compressor. Ao invés, o nosso amado Porto, o maior do mundo, que tal como disse na anterior posta, tinha apenas ganho 8 dos últimos 16 jogos disputados. Se juntarmos a esta ementa, uma jornada anterior onde o Benfica foi a Belém golear a equipa da casa com 5 batatas e o Porto ser derrotado vergonhosamente em casa pelo Arouca, chegaríamos facilmente à conclusão que o maior do mundo iria ser copiosamente vergado aos pés do clube da Luz. Felizmente, não foi o que aconteceu, não porque tivéssemos disso tremendamente superiores mas porque, ao contrário de muitas e muitas situações, fomos eficazes e tivemos aquela pontinha de sorte que nos teimava em fugir semana após semana. Para finalizar a estatística, dizer que foi o 82º jogo entre as 2 equipas para a Liga, o Porto somou a 15ª vitória, sobrando 25 empates e 42 vitórias para o Benfica.

Peseiro teve coragem e um mérito que salta logo à vista, não se cortou, não inventou e foi à Luz com o onze base, optando por Chidozie no lugar de Marcano, fugindo assim à tentação de fazer recuar Danilo e com isto mexer em 2 posições. O Benfica por estratégia ou simplesmente porque não conseguiu, não teve aquela entrada pressionante e avassaladora que se esperava, o rolo compressor das últimas semanas emperrou numa massa azul e branca compacta e bem posicionada. Ainda assim foi o Benfica o primeiro a criar perigo em contra-ataque e em dose dupla por Pizzi, Casillas defende bem no primeiro remate e na 2ª tentativa, o extremo vermelho remata para fora. O golo da equipa da casa não tardou, Renato Sanches atrai todas as atenções e no momento certo solta para Mitroglou rematar colocado e sem qualquer hipótese para Casillas. O Benfica acaba por chegar ao golo numa altura que o Porto ainda nem sequer tinha rematado à baliza. O Porto, e nomeadamente Herrera lembra-se que o futebol tem balizas, recebe um passe de Layún e num remate cagadinho mas pornográficamente bem colocado, estabelece a igualdade para o nosso Porto. Foi o 6º golo para Herrera e a 16ª assistência para Layún. Um pequeno aparte, gosto da forma como a equipa tem festejado os golos, apesar de toda a tempestade que tem sido esta época. Revela raça, revela união, revela querer. O Benfica responde numa jogada um pouco aos trambolhões, Jonas remata com o esquerdo mas Casillas defende mais uma vez em voo com a direita. Mitroglou pouco tempo depois está perto de bisar mas Chidozie embora tenha perdido inicialmente a posição, consegue recuperar e atrapalhar o grego. O Porto rematava pouco e quando o fazia era na baliza errada, Corona na ânsia de cortar a bola quase faz um auto-golo, mas Herrera na baliza certa quase factura num remate semelhante ao do 1º golo. Samaris quase me cima do intervalo remata por cima numa das melhores jogada do Benfica. O empate ao intervalo premiava fundamentalmente a eficácia do Porto e a noite positiva de Casillas. O Benfica entra bem na 2ª parte e é o primeiro a criar perigo num contra-ataque rapidíssimo que acaba com um remate fraco mas colocado de Gaitan e uma enorme defesa de Casillas e o Porto responde por Brahimi que remata à figura depois de uma tabelinha com Herrera. Um dos momentos da partida foi aos 59 minutos, altura em que finalmente começamos a jogar com 11 depois da entrada de Marega para o lugar do apagadíssimo Corona. Coolbakar está perto do golo num remate fortíssimo de pé esquerdo de fora da área mas o míssil sai ao lado e minutos depois percebemos que o camaronês estava era a calibrar a mira porque numa jogada que começa com um corte limpo de Chidozie no meio campo, e depois de uma grande troca de bola à entrada da área vermelha, a bola acaba por chegar ao Coolbakar, que desta vez não vacila na cara de Júlio César, e faz o golo para o maior do mundo. Indi na jogada seguinte tenta novamente fazer o golo na baliza errada mas Casillas responde com mais uma grande defesa. Percebia-se que Casillas finalmente estava numa noite sim e Mitroglou também percebeu isso depois de ver mais um remate seu ser defendido pelo espanhol. A partir dos 70 minutos o Benfica desapareceu dando a entender que o 2º golo do Porto tinha sido um valente soco nas aspirações do rolo compressor, o Porto controlou todo o jogo e foi Marega nos descontos a estar perto do 3º golo mas remata de forma algo displicente quando até poderia ter passado para o Coolbakar. O resultado não se alterou, a vitória foi nossa num jogo nem sempre dominado, mas com elevado nível de eficácia e com um Casillas a fazer de longe o seu melhor jogo desde que chegou à Invicta.

Não gosto de entrar em euforias desmedidas nem em depressões agoniantes, por isso nem sempre as coisas parecem estar tão más como no jogo com o Arouca, nem tão boas como esta vitória na Luz. Depois do jogo com o Estoril, acreditei que a equipa seguiria um caminho seguro e vitorioso mas como cedo se percebeu, isso não aconteceu. O futuro próximo, nomeadamente a eliminatória dificílima com o Dortmund dirá se o jogo da Luz foi a regra ou mais uma excepção.


Casillas - O MVP da partida. San Iker, finalmente! Não sou fã do espanhol, nunca fui e nunca serei mas tento não ter ódios de estimação, tento. A verdade é que Casillas fez de muito longe, o melhor jogo desde que  assinou pelo Porto. Uma mão cheia de defesas, algumas melhores e mais vistosas do que outras, fizeram-nos perceber que o nosso guarda-redes estava numa grande noite e que muito dificilmente a bola entraria na nossa baliza. Helton fez questão de destacar a exibição do colega com a seguinte foto e respectiva legenda "Parabéns meu companheiro por mais uma exibição que nos ajudou a fazer isto que se vê na foto! Sorrir e acreditar até ao fim de que somos capazes de lutar muito pelo objectivo maior... Grande! Muito grande!".


Herrera -  Depois de 90 minutos miseráveis com o Arouca, o mexicano responde com uma enorme exibição e não fosse a soberba prestação de Casillas, Herrera teria sido o melhor em campo. Encheu o campo, foi o principal elo de ligação entre a defesa e o ataque, foi um box-to-box como há muito não víamos e marca o golo do empate e da esperança. O Hector é mesmo isto, o Yin e o Yang, o sol e a chuva, o 8 e o 80, e felizmente para nós na Luz foi o 80.
Aboubakar - Marcou o 11º golo na Liga e o 16º na época. Devagar, devagarinho, o camaronês vai atingindo números mais condizentes com a posição que ocupa em campo. Na Luz teve 2 remates, um deles passa a rasar o poste e outro outro beija a rede. Eficaz como todos nós desejamos que seja sempre.
Danilo - Os óculos azuis que uso diariamente podem-me sempre induzir em erro mas a determinada altura fiquei com a ideia que Danilo sozinho engoliu "o menino de ouro" vermelho e o caceteiro grego Samaris. Mais um grande jogo de um dos jogadores mais regulares da época portista.
Eficácia - Apenas 9 remates à baliza, seguramente um dos jogos onde menos tentamos o golo mas desses 9, 5 foram à baliza e 2 deram golo. Um elevado grau de eficácia permitiu ao Porto ganhar um jogo onde foi mais dominado do que dominador.


Corona - El Tecatito foi uma autêntica nulidade e nem o facto de ter o cansado Eliseu à sua frente fez com que se tivesse evidenciado. Não me lembro de ter ganho um único lance ao defesa português, nem de uma fintazinha que fosse. Corona tem de perceber que não é possível fintar sempre 1 ou 2 jogadores antes de soltar a bola com qualidade. Marega deu mais trabalho à defesa vermelha em 30 minutos que o Jesus nos 60 em que esteve em campo.










2 comentários:

Miguel Lima disse...


tudo muito bem e tal, mas falta aí uma referência ao jogaço do Chidozie. Sem isso, a crónica está incompleta ;)

abr@ço
Miguel | Tomo III

Rui Rodrigues disse...

Olá Miguel.

A falta da referência ao menino foi propositada porque sei que ele é um dos meus milhares de seguidores e não quero que as minhas elogiosas palavras sirvam para o Chidozie embandeirar em arco :)

Grande Abraço.

Saudações Portistas.