Pragmático QB

Pragmático QB

quinta-feira, 8 de março de 2018

A Força do Portista, o Adeus à Europa e o cheiro a caneco.




Considero-me um portista com “P” enorme e quem me conhece minimamente questiona e estranha o facto de eu, um apaixonado do futebol em geral e do Futebol Clube do Porto em particular, raramente ir ao Estádio ver os jogos. A última vez que entrei no Dragão foi no dia 23 de Setembro de 2011, num jogo contra “a equipa que não podemos dizer o nome” e ainda por cima num clássico que acabou com um empate. Nem sempre fui assim, tanto que cheguei a ir algumas vezes sozinho às Antas, com boas e más memórias, nomeadamente quando fomos eliminados pela Sampdoria do Zenga, do Mancini e do Lombardo, na Taça das Taças de 1995, depois de termos ganho a 1ª mão no Luiigi Ferraris, com um golo do russo Yuran. Algumas más experiências dentro e fora do estádio, foram fazendo com que o meu gosto pelo futebol ao vivo, fosse lentamente sendo trocado pelo gosto pelo futebol no sofá de casa.

Nestas últimas semanas, este portismo, exacerbadamente interior, foi sendo beliscado pelo que tem acontecido, não só no Dragão, mas um pouco por Portugal inteiro e por essa Europa fora. Ver as imagens dos Portistas na casa da Juventus, do Mónaco, ou do Liverpool, não deixam ninguém indiferente, nem mesmo o maior Portista de sofá do mundo. Admito que senti inveja, senti pena de não ter estado lá, no meio deles, junto aos da minha cor. O que se tem assistido esta época, em termos de apoio à equipa, é o que me faz ter vontade de sair de casa, levantar o “cagueiro” do sofá, e ir para o meio dos meus camaradas, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, faça sol ou faça chuva. Vénias a todos os Portista, que tanto têm feito para começarmos a ganhar os jogos nas bancadas, de tudo o que é estádio. 

A despedida da Europa esta época aconteceu em Anfield. A época passada foi no Juventus Stadium. Em 2015/16 não passamos a fase de grupos mas em 2014/15 saímos da Europa, vergados com uma pesada derrota na Allianz Arena do Bayern. De uma coisa não nos podem acusar nestes últimos anos, sim, temos sido eliminados, mas sempre em grandes palcos, com grandes ambientes. Tinha dito a um amigo em jeito de confidência, que não me importava que o Mister Sérgio mudasse bastante a equipa, mesmo correndo o risco de “levar na boca” novamente, desde que fossemos a Paços de Ferreira ganhar. Em Anfield foram poupados alguns dos jogadores mais utilizados, não fomos atropelados, equipa e adeptos voltaram a solidificar o portismo que nos une, ficando a faltar os 3 pontos na Capital do Móvel. 

Para concluir, e tal como no famoso jogo “Mortal Kombat”, era fundamental aplicar um Fatality no Sporting na passada 6ª feira. Primeiro para manter a distância da manita pontual para a “equipa que não podemos dizer o nome”, e depois para arrumar de vez com um dos candidatos ao titulo. Objectivo cumprido, nem que para isso tenha sido preciso uma enorme dose de espirito de equipa, pragmatismo e sorte. Não querendo lançar os foguetes antes da festa, começa a ser difícil não sonhar com o caneco, não me imaginar a beber uma cuca nos Aliados, acompanhado pela mulher e filha, no meio dos meus camaradas portistas, com a cidade e o País pintados de azul e branco. Cheira bem, cheira a caneco.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Uma manita de distância e de esperança.


Foi uma semana estranhíssima. Primeiro a Champions, enorme expectativa, devido ao nosso bom momento, mas também do facto do Liverpool, embora seja um grande europeu, não poder ser considerado um “bicho papão”.  Aconteceu uma tragédia, a enorme expectativa foi rapidamente trocada por uma enorme desilusão, fruto de um jogo paupérrimo do maior clube do mundo, que se reflectiu na exibição e consequentemente, no resultado e na eliminatória. Foi a primeira manita da semana, 5 golos sem resposta, que se tornaram na mais humilhante derrota do maior clube do mundo, em casa nas competições europeias. Doeu, levamos “tanga” dos amigos e colegas rivais durante o dia, mas rapidamente passou porque outras batalhas se aproximavam. Não sei se o pensamento é generalizado no seio da nação portista mas muito sinceramente e por muita azia que tenha causado, prefiro um amasso “à cara podre” na Champions com o Liverpool do que o um empate com aquela “equipa que não se pode dizer o nome” e que equipa de “red”.

Adiante. Nunca fui jogador profissional mas sempre ouvi dizer que a seguir a uma derrota, os jogadores querem que o próximo jogo chegue o mais rápido possível. O Rio Ave era o próximo adversário, uma equipa que joga muito à bola, treinada pelo Spalletti Português, que para além de bom falador, percebe de bola. A equipa de Vila do Conde tem tiques de equipa grande, o que acabou por facilitar e favorecer o Porto, que foi traduzindo em golos a boa capacidade que tem de jogar contra equipas que não jogam “ao ataque, fechadinhas lá atrás”. Foi assim que aconteceu no espaço de 4 dias, chapa 5 recebida, chapa 5 oferecida. Se duvidas havia acerca de uma possível quebra em termos emocionais com a coça imposta pelo Liverpool, foram dissipadas com a trepa espetada ao Rio Ave.

A 3ª e última manita da semana, traduz-se na distância para os nossos mais directos adversários, depois da categórica remontada no estádio da bancada gelatinosa. Podia ser demasiada confiança, mas tinha a certeza que o maior do mundo ia ganhar o jogo. Sentia que o nosso Mister iria preparar estes 45 minutos como se a vida dele e dos jogadores, dependesse deste resultado. O Porto entrou para matar e em 20 minutos matou o Estoril. Pressão, garra, sangue, suor e lágrimas, foram ingredientes cozinhados que resultaram num prato cheio e delicioso. Que grande exibição do nosso Porto. 2 pontos à frente são bons, mas 5 são bem melhores. Uma almofada de 5 pontos permite uma escorregadela sem que isso se traduza na perda do primeiro lugar. Não é Pikolin, mas é uma almofada confortável.

PS: Como acho que nós Portistas nos devemos diferenciar dos demais, não tenho qualquer tipo de problema em constatar que o primeiro golo deveria ter sido anulado por fora-de-jogo do Tiquinho, que tem forte influência no lance. O jogo dava a ideia de cair para o nosso lado com mais ou menos dificuldade, mas é um lance que mancha o jogo.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Felipe, o centralão.



Eu, tal como grande parte da malta, sempre joguei à bola 1/2 vezes por semana com aquele habitual grupo de amigos e/ou colegas, embora nunca o tenha feito de forma “oficial”, por assim dizer. Embora não sendo um Maradona, também não me considero um tosco, mas sempre gostei da parte defensiva do jogo. Sou do tempo que o gordo ia para a baliza e os caixa d’óculos como eu iam para a defesa nos jogos entre putos no bairro, e vai daí aprendi a jogar à defesa e cresci admirando os defesas centrais. Esta pequena introdução serve para chegar ao nosso defesa central, Felipe Augusto de Almeida Monteiro (ainda por cima tem um nome totalmente português).

O nosso central está nas bocas do mundo, não do mundo inteiro, mas do mundo da 2ª circular, não pela sua indiscutível e inegável qualidade mas por, segundo consta, ser um jogador que actua à margem da lei, com a agravante de ter a benevolência das equipas de arbitragem. O Felipe é um jogador duro, impetuoso, viril, mas na onda do que deve e têm sido os jogadores do Porto naquela posição. Defesas centrais como o Maicon (com excepção do lastimável episódio em que abandonou o tereno de jogo), Mangala, Otamendi, Pepe, Jorge Costa, Bruno Alves, e tanto outros, destacaram-se no Porto pelos mesmo motivos que agora se fala do Felipe, pela forma dura de estar em campo e pelas suas qualidades. Pelas razões que enumerei na minha pequena introdução, é um jogador que me enche totalmente as medidas, não só nesta fase, mas desde que aterrou na Invicta.

Quando se fala do “Jogador à Porto”, Felipe é um dos nomes que me vem imediatamente à memória. É aquele jogador que não tem medo do choque, não tem medo do adversário, bate para que não lhe batam, tenta-se antecipar sempre, entra de carrinho, cai e levanta-se, corta a bola, sangra do nariz ou porque abriu a cabeça, salta mais que o avançado, corre mais que o avançado, é melhor que o avançado. O Felipe é assim, e é por isso que eu sou fã dele. Gosto de gajos que vão à luta, que não têm medo de perder, porque sabem que desta forma estão mais perto de ganhar.

“Ataques ganham jogos mas as defesas ganham campeonatos”. Embora muitos a tenham dito, a frase é atribuída ao famosíssimo ex-treinador da NBA, Phil Jackson. Identifico-me com ela, porque sinto que o Yacine, Moussa, Vincent, Francisco e Jesus nos farão ganhar muitos jogos, mas será o Felipe e restante comandita, que nos vão oferecer o caneco.

Para finalizar, o circo está montado em volta do Felipe, mas percebe-se o porquê, porque o jogo contra o 3º classificado se aproxima, porque o Porto está forte e unido e porque este Porto do Sérgio Conceição assusta, e sejamos honestos, ninguém gosta de viver a sua vida assustado.

PS. A título de curiosidade, importa dizer que o Felipe nasceu num distrito de São Paulo chamado Tiradentes, que não teve vida fácil no Corinthians, onde chegou a ser assobiado mas acabou por ser apelidado de "Felipenbauer" e "Felipe, Sérgio Ramos de Itaquera” pelos Corintianos, e o ESPN escreveu em 2016 o seguinte “é o defensor com maior impulsão e, segundo o departamento de estatísticas do clube, o mais rápido também. Sua força de vontade, determinação, seu interesse, seu esforço em melhorar e, principalmente, sua paciência para esperar a sua vez, sem desistir, conquistaram o actual treinador."

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Braga 0 vs FC Porto 1 - 27.08.2017 - Liga Portuguesa

Meu querido mês de Agosto.

4 jogos, 4 vitórias, todas neste mês. Afinal de contas, Agosto não é só o mês dos Avecs, dos Jean Pierres, dos carros xunning com dois depósitos (para a gasolina e outro para o azeite), enfim, de toda aquela parolada que se gosta de exibir nesta altura. Agosto foram mais ou menos 20 dias de futebol, divididos em 4 jogos, ganhos de forma categórica.

Depois de um empate e uma derrota na Pedreira nos últimos 2 anos, o Porto ganhou pela margem mínima no marcador, mas pela margem máxima naquilo que se passou em campo. Este era aquele jogo que todos os Portistas ansiavam ver, para perceber até que ponto esta equipa é forte mentalmente e estaria, ou não, preparada para as grandes batalhas que se avizinham. O maior clube do mundo ganhou por um golo, numa noite em que com uma maior inspiração, poderíamos estar a falar de números quase históricos, a relembrar 2002, quando ganhamos por 0-4.


Solidez defensiva - Já dizia o antigo treinador da NBA, Phil Jackson, "ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos". O homem ganhou 11 títulos na maior liga de basquetebol do mundo, é actualmente o treinador mais titulado da NBA e por isso parece-me um gajo a quem devemos dar algum crédito. A verdade é que são 4 jogos sem sofrer golos, algo que não acontecia desde a época 1983/84. Marcano e Felipe tem revelado um entrosamento quase pornográfico, dando a ideia que jogam juntos há mais de uma década, quando na realidade é somente o 2º ano em que partilham o centro da defesa. Casillas com 36 anos de idade e praticamente 20 anos a virar frangos (e esta expressão é dita no bom sentido do frango), bate recordes de minutos sem sofrer golos. Telles e Ricardo, são 2 laterais que passam mais tempo no meio campo adversário, mas que mesmo assim raramente se deixam surpreender nas missões defensivas. O Braga não teve um único remate enquadrado à baliza do Porto, algo que não é muito normal. Sá, Reyes, Láyun e Maxi são excelentes alternativas, mas será muito difícil qualquer um deles tirar do poleiro os 5 titulares da defesa.
Ataque - O Freitas Lobo, afirmou e bem a meu ver, que o Porto deste ano joga com 2 carros de assalto na frente. Não sei de são 2, 3 ou 4, mas a verdade é que jogamos de uma forma que produz tantos e tão bons ataques, que num dia bom, poderemos amassar qualquer defesa a nível nacional. Ontem foi visível o elevado número de jogadores que aparece dentro da área para finalizar cada jogada. Sem dúvida alguma, uma das marcas de Sérgio Conceição.
Marega - O MVP da jogo. Que animal. O gajo não é definitivamente um portento de técnica mas no que resta, é um autentico alien. Imparável, incansável, infodível (esta fui eu que inventei). Soares que se mexa, não vai ter um regresso fácil à titularidade. 
Corona -  O Porto teve sorte na forma como a bola vai parar aos pés do mexicano, mas tudo o resto é magia. A forma como faz o lençol ao Goiano e espeta uma cueca fulminante no Matheus é um lance de génio. Corona é mesmo assim, 45 minutos sem fazer bola, e um golo à patrão. Um aparte, alguém que lhe dê uma bucha, está magro que nem um cão.
Brahimi - 60 minutos a martelar a defesa bracarense até sair completamente nas lonas. Foi o principal desequilibrador da equipa na primeira parte, como vem sendo hábito, e contribuiu e muito para os principais lances de perigo na baliza do Braga. Continua com a confiança em alta, algo que lhe permite ir sempre para cima das defesas, nem que tenha perdido a bola em todas as jogadas anteriores.
Substituições - O nosso Mister percebeu o momento do jogo e foi pragmático nas mexidas que fez na equipa. O reforço do meio campo com as entradas de Otávio, André e Herrera secaram o pouco que faltava secar no Braga e usando as palavras do Sérgio, meteram o jogo no bolso.


Aboubakar - O principal rosto da noite perdulária de ontem. Teve 2/3 jogadas daquelas que têm que acabar na rede do lado de dentro da baliza. O camaronês não tem a veia goleadora de um Falcao ou um Jackson, embora tenha de lhe ser dado o mérito de aparecer inúmeras vezes nas zonas de finalização. O que desejam os Portistas em geral, e eu em particular porque sou fã do Vincent, é que sejam mais os jogos com o Moreirense do que com o Braga.
O risco de não matar o jogo - Não marcar o 2º e 3º golo nestes jogos é sempre perigoso, o Porto conseguiu quase sempre manter a calma e não permitiu grandes calafrios na baliza de Casillas, mas a verdade é que um piço, uma bola que bate nos tomates de alguém e entra, uma paragem cerebral de alguém vestido de azul e branco, ou outra qualquer merda do género, pode sempre empatar um jogo que esteve sempre longe de ser perdido.
O sair a jogar - O Porto do Sérgio não gosta de bico para a frente, o Abel percebeu isso e tentou travar as saídas a jogar de trás, com algum sucesso em algumas jogadas. Perdemos alguma bolas em zonas perigosas que permitiram ao Braga aproximar-se da nossa área com relativo perigo.

Mais fotos do jogo aqui.

Saudações Portistas e até para a semana.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Tondela 0 vs FC Porto 1 - 13.08.2017 - Liga Portuguesa

Quando falta camarão, serve-se tremoços e amendoins.

Tondela, essa equipa maldita que nos 4 únicos confrontos anteriores, nos tinha retirado pontos por duas vezes, hoje esteve perto embora longe, de nos empatar a vida pela terceira vez. A equipa do Porto e acredito que o próprio Sérgio Conceição, bem gostariam de ter servido camarão, lagosta e ameijoa aos portistas que estiveram no estádio e aos 74 milhões de azuis e brancos espalhados por esse mundo fora mas tal não foi possível. Em vez disso, presentearam-nos com o belo do tremoço, e o nunca fora de moda amendoim, acompanhados da bela cuca, que é como quem diz, dos 3 pontos.

O Portista é um adepto difícil, complicado, exigente mas também é um adepto realista. 4 anos a seco deixaram-nos com a mente bem aberta, sabemos que nem sempre vamos ter ópera nem orquestras como no jogo com o Estoril, sabemos que para sermos campeões, vamos ter de assistir a muito concerto chunga e foleiro, de baixo orçamento, típico de festas populares. Sabemos também que o ano passado fodemo-nos em jogos como este, em que não sendo possível jogar um futebol espectacular, teríamos obrigatoriamente de ganhar, fosse de que maneira fosse, e muitas vezes não o conseguimos. Acredito que nos jogos do Dragão teremos mais goleadas mas fora de casa não vai fugir muito disto, equipas fechadas, muito pontapé na frente à espera de um "Mano", porradinha basta. O Tondela do Pepa, podia ser o Tondela do Petit, não se nota muita diferença, até porque nenhum dos 2 foi à flash-interview por não ter o 4º grau do curso de treinador, mas podem sentar-se no banco e ir à conferência de imprensa. Paneleirices.


Estilo de jogo - Penso que já todo o adepto portista e adversário minimamente atento, percebeu como funciona o 4-4-2 do Sérgio Conceição. Os extremos vêm para dentro com bola, os laterais sobem e cria-se a dúvida no adversário, que tem funcionado muito bem neste inicio de época. Brahimi e Corona encaixam que nem uma luva neste modus operandi, porque tanto um como o outro, não são jogadores de irem à linha, preferindo deambular para o centro, escacando defesas através do drible. Ricardo e Telles, dois laterais com uma grande propensão ofensiva, dão aquela segunda solução para surgir um cruzamento que normalmente encontra muito azul e branco na área. A forma de jogar tem sido esta, o Porto sabe, o adversário também, o emigrante também acho que já se apercebeu, mas a coisa funciona, vamos ver até quando e qual o Plano B.
Controlar o jogo -  A equipa tentou aumentar o score para acabar o jogo de uma forma mais descansada, mas a verdade é que não tendo conseguido marcar o segundo, também não se pode dizer que tenhamos passado por muitas aflições. Uma cagada do Iker, salva por Telles e um remate do Wagner, foi a melhor coisinha que o Tondela conseguiu em todo o jogo.
Aboubakar - O MVP do jogo. Um golo, o único da partida e uma bola com estrondo no poste, é para mim difícil escolher outro MVP, que não o autor do unico golo do jogo. Perdulário no jogo com o Estoril, mais assertivo em Tondela, o camaronês está na luta para uma grande época. 
Marega -  O maliano impressionou com os dois golos no jogo anterior, mas houve um factor que me impressionou pessoalmente no jogo de hoje, o Marega vai correr a qualquer bola seja em que situação e zona do campo for, e vai fazê-lo durante os 90 minutos. Não lhe peçam trivelas, virgulas, ou pontapés de bicicleta, mas aquela pele morena vai ficar constantemente em campo. 
Corona -  O Jesus percebeu o meu aviso e hoje partiu a louça toda. Bem melhor no aspecto físico do que à uma semana atrás, foi no capitulo técnico um autêntico abre latas. Esteve perto de marcar, mas um corte do ex-portista David Bruno impediu-o de brilhar depois de um slalom gigante. O entendimento com o Ricardo parece estar a resultar muito bem.  
Os laterais -  Não sei se o Ricardo e o Telles vão aguentar a época toda, mas percebe-se que na forma como o Sérgio quer que a equipa jogue, estes dois meninos vão ter um enorme protagonismo. Fazem-me lembrar o Alonso e o Moses no Chelsea, embora os ingleses joguem com uma defesa com mais um elemento que o Porto. Mais uma vez, tiveram grande dinamismo e estiveram nos principais lances de ataque da equipa.


Primeiro golo -  O golo inaugural está a demorar mais do que certamente todos o desejaríamos e "só" tem surgido nos último quarto de hora da primeira parte, embora nos 2 jogos não tenham faltado oportunidades para marcar mais cedo. Uma situação a rever porque não teremos sempre a sorte de haver Mano`s ou remates enviesados que se transformam em assistências. 
Danilo -  O panzer negro nipónico está em baixo de forma ou tem instruções para jogar daquela forma? Uma dúvida que mantenho após os dois jogos oficiais.
Felipe - Sou teu fã e tu sabes disso, mas tens de ser um pouco mais inteligente a jogar. Já percebemos que queres ganhar todas as disputas, seja no ar, chão, ou água mas um pouquinho menos de impetuosidade, evitará que leves menos amarelos e consequentemente, vermelhos. 

Mais fotos do jogo, aqui.

Saudações Portistas e até para a semana. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

FC Porto 4 vs Estoril 0 - 09.08.2017 - Liga Portuguesa




Errar é o Mano.

O Pragmático voltou e a culpa é do Sérgio. 9 meses passaram desde a última posta. 9 meses. Foi num Porto - Chaves da época passada, num jogo dificílimo, ganho por 2-1, com golos do Depoitre e do Danilo. Foi uma vitória épica, conseguida num jogo em Dezembro do ano passado. Foi um jogo que, tal como hoje, me fez voltar a escrever depois de um hiato de praticamente um mês. Tive muita vontade de escrever porque o faço com gosto e nunca por obrigação mas admito que o meu portismo andava em baixo, sossegado a um cantinho, à espera de algo ou alguém que o fizesse reanimar e acreditar que a chama poderia ser acesa novamente. Esse algo ou alguém, chama-se Sérgio Conceição, um treinador que embora não fosse a minha escolha, me conquistou imediatamente após a primeira frase na conferência de imprensa de apresentação. Um treinador que transpira confiança, um treinador que embora não sendo o melhor do mundo, age como tal, um treinador que sabe o que é ser Porto, um treinador que através da sua postura, nos faz acreditar a nós, adeptos do maior e melhor clube do mundo, que tudo é possível daqui em diante.

Vamos ao jogo, sem perder mais tempo. Primeiro jogo oficial da época na fortaleza do Dragão, primeira vitória da época. Goleada. Espectáculo. Pedro Emanuel conhece bem a casa que visitou hoje, e comanda um Estoril que vinha de uma brilhante pré-época onde tinha ganho 7 jogos dos 8 disputados. Eram dois factores a ter em conta mas do outro lado estava um Porto igualmente forte, de cara lavada, com uma pré-época que serviu para juntar as tropas, reeducá-las e prepará-las para uma guerra que se prevê brutal. O nosso Mister não inventou e lançou a equipa esperada, o nitidamente o 11 que lhe dá mais confiança. 4-4-2, um esquema do qual sou fã, e que me parece o mais correcto para ser executado me 90% dos jogos da Liga Portuguesa. A equipa começou nervosa, indecisa entre a vontade de arriscar e jogar rápido com um futebol ao primeiro toque, à imagem do que fez quase sempre nos jogos amigáveis, e um futebol mais pausado, mais calculado, com a bola a passar praticamente por todos os jogadores da equipa. A equipa falhou muitos passes mas também recuperou muita bola, não deixando o Estoril criar perigo na baliza do Iker. Algumas oportunidades falhadas, dois golos anulados (e bem!), e o golo tardava em aparecer. Um parêntesis, quem apostar no Placard, escolher Porto INT parece-me uma excelente hipótese esta época. Adiante. O golo chegou da maneira mais improvável, com um erro de um jogador do Estoril porque "errar é o Mano" e nestas situações, Deus perdoa mas o Lorde Marega não. A lata estorilista estava aberta, o que permitiu encarar a segunda parte de uma forma mais tranquila e menos precipitada. Os golos foram surgindo naturalmente, entraram 4 batatas mas poderiam ter entrado muitas mais, caso o Vincent tivesse guardado parte da sua veia goleadora para os jogos a sério. Concluindo, vitória justíssima, com aquela goleada que sabe sempre bem.


MVP do Jogo - Marega. Entrou aos 32 minutos para o lugar do lesionado Tiquinho, marcou e desbloqueou o jogo aos 35. Um goleador é mesmo assim, não precisa de muito tempo, nem muitas oportunidades para castigar as defesas adversárias. Marega é um Lorde e gostava que na camisola usasse a palavra Edrol, que é nem mais nem menos que o Lorde escrito ao contrário. Como se não bastasse o maliano repetiu a gracinha e marcou novamente na segunda parte. O Moussa é mesmo assim, um talento nato, uma força da natureza, um jogador que a pedido da massa associativa leonina, entrou e fez estragos, muitos estragos. 60 minutos em campo, 4 remates, 2 golos. Lindo.

Aboubakar - Depois de uma pré-época onde se fartou de massacrar e martelar as balizas adversárias, hoje teve calminha e foi solidário com o mouro Moreira. Segundo o site GoalPoint, foi o jogador com mais remates no jogo (9) e bateu o recorde da época passada (8), logo na primeira jornada. O Vincent é mesmo assim, um panzer à solta, que muitas alegrias nos vai dar, infelizmente hoje não foi o dia, mas foi nítido que tudo fez, embora "errar é o Mano". 
Óliver -  Começa a época com uma saúde física invejável, com uma qualidade de passe pornográfica e com um penteado que não lhe fica mal. Vou-me amar em Freitas Lobo e dizer que Óliver é um 10 mascarado de 8, na sala de máquinas que é o meio campo azul e branco. Ainda não o vi jogar mal esta época e cheira-me que só devo ver a partir de Janeiro, altura em que as costuras do espanhol devem começar a ceder.
Marcano - Aquele estilo de quem não parte um prato encaixa que nem uma luva no central. Parece que não faz mal a ninguém mas a verdade é que com ele em campo, pouca coisa pode ferir a baliza portista. Como se não bastasse esta forma de estar em campo, ainda marca, o que me leva a dizer que senão existisse o Hummels, o Marcano era o melhor central do mundo.
Brahimi - Há merdas que nunca mudam e no caso do Brahimi, ainda bem. O rotundas começa a época em grande forma, com golos, fintas, rodopios sobre si mesmo, luta constante pela bola. O argelino dá a ideia de ser daqueles gajos mimados, que precisa de um treinador que lhe diga que ele é o melhor jogador do mundo. Não sei se o Sérgio é o gajo certo para isso, para pelo que se tem visto, é uma relação pai/filho que tem funcionado muito bem.



É o primeiro jogo, não vou bater em ninguém, mas Corona, se não atinas rápido, cheira-me que és o primeiro a entrar na famosa rotatividade. 

Mais fotos do jogo aqui.

Saudações Portistas e até para a semana.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

FC Porto 2 vs Chaves 1 - 19.12.2016 - Liga Portuguesa

Mesmo não o sendo, tivemos a raça de campeão.

Mais de um mês depois, volto a escrever. Tinha-o feito pela última vez depois do malogrado empate com os vermelhos e volto a fazê-lo hoje. Passaram 8 jogos, ganhamos 4 deles e empatamos outros 4. Neste período senti vontade de escrever mas não o fiz por uma ou outra razão. Tive vontade de escrever nos 5-0 ao campeão inglês, tive vontade de escrever nos 0-4 ao Feirense, tive uma enorme vontade de escrever quando o Kelvin renasceu no corpo do Rui Pedro, mas também senti uma enorme vontade de desabafar nos frustrantes empates com o Belenenses, Copenhaga e principalmente no afastamento da Taça de Portugal, aos pés deste mesmo Chaves.


Há um facto indesmentível e inquestionável, este Chaves fez muito mais no Dragão em 90 minutos do que por exemplo o Benfas nas últimas visitas à Invicta. Foram chatos, foram manhosos, foram perigosos, foram tudo o que a maior parte das equipas portuguesas não consegue ser quando pisa o belo tapete verde do Dragão. Foi preciso um grande Porto, com uma alma e raça quase transcendentais, para foder a puta da boca aos flavienses. Um golo a favor cedo no jogo costuma ser moralizador, a maior parte das vezes um tranquilizador para o que resta da partida, mas um golo sofrido aos 12 minutos pode ter efeitos devastadores. O Porto entrou muito bem no jogo mas aquele piço do Rafa Lopes fez tremer equipa e público, e pôs-nos a correr atrás do prejuízo desde muito cedo no jogo. Uma primeira parte nervosa, um adversário enervante (aquele Assis, era dar-lhe com um gato morto até ele miar), um árbitro que ajudou à festa, foram tudo ingredientes para 45 minutos de pouco futebol e muita luta. Felizmente, a lavagem cerebral ao intervalo foi bem executada e a equipa começou a carregar desde cedo, de uma forma criteriosa, sem recorrer ao facilitismo do futebol desesperado. Um penálti por marcar sobre Maxi, um golo mal anulado, uma bola no poste, um adversário que jogava sempre na fronteira do anti-jogo, indiciavam a forte possibilidade de uma derrota inesperada e exasperante mas 5 minutos à patrão derrubaram um dos adversários mais chatos que me lembro de ver jogar nos jogos em casa. Hoje houve raça. houve alma, houve equipa, houve treinador, houve tudo, o que fez com que eu tivesse assistido a um dos jogos que mais gosto me deu ver esta época. Apesar de um jogo a mais, voltamos a colar no 1º lugar e resta esperar pelo que o nosso rival possa ou não fazer. O nosso está feito, com muito custo, mas siga, 3 pontos.


Danilo - O MVP da partida. Não foi o único que esteve bem esta noite, aliás, custa-me destacar alguém porque entendo que toda a equipa esteve nivelada por cima. Destaco o Senhor Danilo porque fez mais um jogo soberbo, mais um jogo em que espelhou em campo o que todo o adepto pede e exige a um jogador do Futebol Clube do Porto. Recuperou 8 bolas, teve uma eficácia de passe de 94%, marcou um grande golo e foi sempre um guerreiro incansável no meio campo portista. 
Atitude da equipa - É isto que os adeptos querem. Sabemos que não vamos ganhar todos os jogos, mas queremos ver e sentir a equipa lutar por essas mesmas vitórias até cair para o lado. Ninguém no seu juízo perfeito poderia crucificar a equipa depois daquela segunda parte, mesmo que não tivéssemos ganho o jogo porque todo o portista seria obrigado a aceitar que a equipa tinha dado tudo em campo e quando isso acontece, estamos muito mais perto de ganhar jogos. Os campeões fazem-se em jogos como este.


Nervosismo da equipa - O Porto caiu na armadilha do Chaves na primeira parte, principalmente depois do golo. Deixou-se enervar por uma equipa que cedo se percebeu que vinha com uma missão muito bem estudada. Quando o jogo chegou ao intervalo, senti que era impossível ganhar este jogo, fazendo-o como tínhamos feito nos primeiros 45 minutos. A entrega e atitude da equipa na segunda parte foram as mesmas, mas a inteligência e frieza com que encaramos o que faltava jogar foi a solução para arrecadar uma vitória dificílima mas muito saborosa.
Arbitragem - Foi mais do mesmo, que é como quem diz que em caso de dúvida, fode-se o Porto. Tem sido assim desde o início da época e por muita posta de pescada que se vá mandando, não acredito que a tendência vá mudar.